Egípcio acusado de terrorismo se diz perseguido

O egípcio Mohamed Ali Soliman, preso em abril em Foz do Iguaçu (PR), negou, no Supremo Tribunal Federal (STF), que tenha participado de ações ou de treinamentos de organizações terroristas. "Sou pobre e nunca fui terrorista, pois todo terrorista é rico", disse Soliman ao ministro Carlos Velloso, relator do processo de extradição, pedida pelo governo egípcio sob a acusação de terrorismo. Em um interrogatório de pouco mais de uma hora, Soliman tentou convencer o ministro de que não é terrorista, mas vítima de perseguição religiosa. O egípcio disse que começou a ser perseguido depois que deixou o cristianismo para se converter ao islamismo. Ele afirmou que, com medo de ser morto no Egito, mudou-se há 8 anos para o Brasil, tendo passado antes pela Arábia Saudita e pelo Paraguai. Soliman foi preso no último dia 15, após determinação de Carlos Velloso. Ele é acusado no Egito de participar de organização terrorista internacional e de envolvimento em homicídios e posse ilegal de armas, munições e explosivos. No interrogatório, o egípcio disse que jamais esteve no Afeganistão, país onde viviam vários simpatizantes da organização Al-Qaeda. Na platéia do STF, além de funcionários do Trinbunal, estavam jornalistas, advogados e a mulher de Soliman, a dentista brasileira Rucaia Manah. Ao final do interrogatório, o ministro Carlos Velloso atendeu a um pedido dos advogados do egípcio e permitiu que o casal conversasse e trocasse afagos e beijos no rosto. Soliman pediu a Velloso que julgue rapidamente a sua extradição. Ele disse que precisa ser solto para poder trabalhar e comprar o leite da filha, que tem 3 anos, e cuidar da mulher, que sofre de depressão. Os advogados do egípcio solicitaram ao ministro que autorize a transferência de seu cliente da Penitenciária da Papuda, onde ele está atualmente, para a Superintendência da Polícia Federal, alegando que o local está em obras e Soliman tem alergia à poeira.

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