Efeitos do Viagra preocupam fundos de pensão

O aumento do número de casamento entre pessoas com grande diferença de idade - de 20 ou até 30 anos - é uma tendência que está se acelerando e já preocupa os fundos de pensão. A tendência foi potencializada por medicamentos como o Viagra, que amplia a vida sexual do homem. Os cálculos quanto aos efeitos do Viagra nas contas dos planos de previdência ainda não estão disponíveis, mas os fundos temem que sejam significativos. Outra mudança social que começa a se refletir nos fundos de pensão é a união entre pessoas de mesmo sexo. "Estamos sugerindo aos nossos clientes (fundos de pensão) que façam alterações em seus estatutos prevendo essas situações. É quase impossível avaliar o que vai acontecer num horizonte de 20 a 30 anos, mas os efeitos podem ser muito relevantes", observa o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e diretor do Escritório José Montello, Sérgio Aureliano.Aureliano dá como exemplo a tábua de probabilidade de morte chamada "AT 49", muito utilizada pelos fundos de pensão para fazer os cálculos financeiros. É com base nesse documento que os fundos estimam quanto os participantes e as empresas devem aplicar mensalmente para fazer frente aos compromissos futuros. A AT-49 prevê o pagamento de benefícios de um profissional que se aposenta aos 55 anos durante 21,7 anos, que é a expectativa de vida aferida por cálculos probabilísticos. Ao contrair novo casamento com pessoas mais jovens - e indicar novos dependentes - esse período aumenta, explica.Aureliano observou também que desde o advento do novo Código Civil já é possível indicar uma pessoa que esteja unida com outra do mesmo sexo para receber os benefícios previdenciários. O atuário disse que alguns fundos já estão pagando esse tipo de benefícios. O técnico ressalvou que não cabe ao atuário fazer juízo de valor e nem se posicionar contra ou a favor de decisão dos beneficiários dos fundos de pensão de buscar novos relacionamentos. "A nossa preocupação é apenas encontrar o equilíbrio financeiro entre as contribuições mensais e o pagamento futuro de benefícios. Se essas mudanças não forem mensuradas, haverá desequilíbrio futuro, afetando todos os participantes", comenta.O diretor técnico do Escritório Técnico de Assessoria Atuarial, Gehard Dutzmann, diz que esse problema é mais relevante para os fundos de pensão que adotam a modalidade de "benefício definido"(BD). Nesse caso, o aposentado (e dependente) faz jus ao benefício, durante a vida toda, corrigido pela inflação. Esse tipo de benefício predomina entre os grandes fundos das empresas estatais, como o Banco do Brasil (Previ) e Petrobras (Petros), o maiores do País. No outro tipo de fundo, o de "contribuição definida"(CD), os efeitos são menores, já que o valor do benefício é proporcional ao valor da poupança acumulada. Dutzmann observa que os fundos de pensão devem refazer o valor dos benefícios na hipótese de o aposentado substituir o beneficiário e este for mais jovem. "O valor do benefício tem de ser reduzido, já que o pagamento do benefício tende a ser por períodos mais longos e a poupança acumulada é a mesma", explica. Segundo ele, por precaução, os fundos de pensão têm de refazer o valor dos benefícios todos os anos justamente para evitar o acúmulo de problemas.

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