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Efeito dominó

Com poucas surpresas em relação ao que já se sabia de vazamentos parciais, a lista do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, publicada com exclusividade pelo Estado, tem o mérito de confirmar as dimensões de crise política que funde os dois mandatos da presidente Dilma Rousseff em um só.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2014 | 02h02

A base do governo está amplamente atingida sem que ainda se conheçam os nomes de outra relação, a do doleiro Alberto Youssef, que certamente acrescenta à de Costa. Ambas serão conhecidas em toda a sua extensão em pouco tempo - afinal, 2015 começa em 11 dias e, para fevereiro, quando mais se saberá, falta pouco mais de um mês.

No calendário político não haverá a trégua tradicional dos feriados e do recesso legislativo. As revelações de Costa emendaram as legislaturas, de tal sorte que o governo precisa adiar o anúncio de seu novo ministério e o Congresso tem dificuldades para conduzir suas eleições internas.

Desse cenário o simbolismo do fim de festa , por ironia, está na Capital da República, cujo governo foi proibido judicialmente de patrocinar o réveillon, por incapacidade de pagamento do governo petista de Agnelo Queiroz, que chega ao final sem honrar salários de categorias diversas do serviço público.

As investigações atingem as figuras dos presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Alves e Renan Calheiros. O primeiro, cotado para o ministério do segundo mandato, o que agora torna-se inviável. O segundo, obrigado a rever sua intenção de reeleger-se para o cargo.

Assim como concorrem no tamanho das bancadas no Congresso, PT e PMDB empatam nas citações de Costa - com oito nomes cada um.

Tanto um quanto outro, porém, têm entre os citados lideranças expressivas das legendas, dentro e fora do Congresso, do que são exemplos o governadores Tião Viana (PT-AC) e os ex-governadores, Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Roseana Sarney (PMDB-MA).

No PT, o líder Humberto Costa (PE) puxa a fila do Senado, onde entram ainda a ex-ministra da Casa Civil de Dilma, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), Delcídio Amaral (MS) e Lindbergh Farias (RJ). O PMDB ainda oferece um ministro, Edison Lobão, das Minas e Energia, com data marcada para retornar ao Senado.

Já emparedada pela crise na Petrobrás, Dilma tem agora que enfrentar sua base, que reagirá aos vetos aos investigados para cargos públicos.

A crise justifica plenamente a explicação de Dilma para a demora na formação do ministério, dada à colega argentina, Cristina Kirschner: "Você não sabe como é difícil no Brasil". A ela, agora, pode se acrescentar uma montanha.

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