Efeito-Chalita amplia disputa por TV em São Paulo

Participação direta do PMDB na corrida elevará poder de barganha de partidos ‘nanicos’ e dos médios, como PDT e PSB

Daniel Bramatti,

22 de maio de 2011 | 23h00

A decisão do PMDB de lançar candidato próprio à Prefeitura de São Paulo fará com que, pela primeira vez desde 1996, o partido não seja a "noiva" preferida das coligações interessadas em ampliar seu tempo de propaganda em rede de rádio e televisão. Isso elevará o poder de barganha dos chamados "nanicos" e de partidos médios, como o PDT e o PSB.

 

 

A disputa pelos minutos e segundos do palanque eletrônico também será acirrada graças ao caráter "multipolar" da campanha - além de PT e PSDB, tradicionais concorrentes, e do próprio PMDB, o prefeito Gilberto Kassab colocará à prova a força de seu grupo político, reunido em torno do recém-criado PSD e de legendas que ocupam cargos na administração.

 

 

Nas últimas três eleições, o PMDB, sem nomes competitivos na capital, cedeu seu principal ativo eleitoral - o tempo de TV - a Romeu Tuma (PFL), em 2000, a Luiza Erundina (PSB), em 2004, e a Kassab (então no DEM), em 2008.

 

 

Com a anunciada candidatura do neofiliado Gabriel Chalita - segundo deputado federal mais votado no Estado em 2010 -, o PMDB perderá o caráter de "curinga" no jogo eleitoral e precisará, ele próprio, atrair aliados para fortalecer seu representante.

 

 

PSB, PDT e PTB - as novas peças móveis da campanha - serão cortejados por todos, juntamente com os partidos nanicos. Fora da máquina do Estado e da Prefeitura, o PMDB larga em desvantagem na negociação. Seu principal alvo deve ser o PTB, legenda-satélite do PSDB, controlada por Geraldo Alckmin, com quem Chalita tem afinidades.

 

 

No melhor dos cenários para Chalita - a conquista do PTB e de todos os micropartidos que não costumam lançar candidatos próprios -, ele teria cerca de 21% do tempo de propaganda em rede de rádio e televisão, algo como seis minutos e meio em cada bloco de meia hora.

 

Com cargos e canais de diálogo nas esferas federal, estadual e municipal, os pedetistas podem acabar nos braços do PT, do PSDB ou do grupo kassabista - que tende a apostar suas fichas na candidatura de Eduardo Jorge (PV), secretário municipal do Meio Ambiente.

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