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Educação em pé de guerra

O ministro Abraham Weintraub enfrenta nesta quarta-feira uma convocação para depor no plenário da Câmara dos Deputados sobre cortes de recursos na pasta que estão envoltos em uma cortina de desinformação

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 03h00

Mais de um mês depois de assumir o Ministério da Educação – depois da passagem desastrosa de Ricardo Vélez Rodríguez pela pasta –, Abraham Weintraub enfrenta nesta quarta-feira uma convocação para depor no plenário da Câmara dos Deputados sobre cortes de recursos na pasta que estão envoltos em uma cortina de desinformação.

Primeiro, o ministro anunciou que cortaria recursos de universidades que fizessem “balbúrdia”. Depois, anunciou um contingenciamento linear de recursos para o ensino superior. Diante da reação, passou a restringir o montante a 3,4% das receitas globais da pasta – ou 30% daquelas chamadas discricionárias, que corresponderiam a 12% do total.

Diante de um mar de retórica desencontrada temperada com ressentimento e ideologia, com direito a chocolates, o dia de ontem foi marcado por mais confusão: enquanto o ministro da Educação concedia uma entrevista defendendo o contingenciamento, líderes que participaram de uma reunião com Jair Bolsonaro diziam, no plenário, que o presidente ligou para o ministro na frente deles e mandou sustar qualquer corte.

Como o contingenciamento já foi feito, por determinação do Ministério da Economia, a Casa Civil e o próprio Ministério da Educação correram para negar a suspensão determinada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Entenderam?

Talvez não. Realmente, é difícil a compreensão de tanta bateção de cabeça por parte das autoridades.

TEMPESTADE PERFEITA?

Greve e depoimento de ministro acendem alerta no Planalto

O fato é que o governo está preocupado com a greve prevista para esta quarta-feira, suas consequências para a popularidade de Bolsonaro e sua já desgastada imagem no exterior – no momento em que o presidente vai aos Estados Unidos num “plano B” para fugir de Nova York. O depoimento de Weintraub também acendeu o alerta máximo no Planalto. Assessores presidenciais lembravam ontem que foi numa circunstância assim que Cid Gomes foi degolado ao vivo quando Dilma Rousseff vivia às turras com o Congresso.

ÓLEO E GÁS

Setor de energia vê embate entre ministérios por regulação

Está em curso nos bastidores da Esplanada dos Ministérios uma disputa entre as pastas da Economia e de Minas e Energia pelo controle da agenda de energia no governo Bolsonaro. O ministro Bento Costa Lima (MME) enfrenta tentativas de interferência em sua pasta. Paulo Guedes encomendou ao professor Carlos Langoni um plano para o mercado de gás com o objetivo de reduzir o custo do insumo à metade. Sem dizer como conseguirá isso, o plano, segundo representantes do setor, deve desencadear uma chuva de ações judiciais, a exemplo do que ocorreu quando Dilma Rousseff decidiu intervir no setor elétrico. Nos combustíveis acontece coisa parecida. Depois que o MME lançou o programa Abastece Brasil para atrair mais investimentos às áreas de refino e logística, a direção-geral da ANP tem tentado aprovar no CNPE uma agenda que contraria o setor e tem potencial, de acordo com empresas, de criar instabilidade jurídica e afugentar investimentos.

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