Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Educação é um dos grandes desafios para quem assumir a prefeitura de SP

Haddad defende maior tempo de permanência dos alunos na escola; Serra defende legado de Kassab

Daiene Cardoso e Guilherme Waltenberg - Agência Estado,

29 Junho 2012 | 16h20

SÃO PAULO - A solução para as cerca de 150 mil crianças fora das creches e a necessidade de se estabelecer um ensino de melhor qualidade, além da promoção da melhoria na remuneração dos professores, fazem da Educação um dos grandes desafios dos candidatos que pleiteiam a Prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro deste ano. Antes do início oficial da campanha, no dia 6 de julho, o assunto já provoca debates acalorados entre os concorrentes e é o segundo da série de matérias especiais que a Agência Estado está produzindo sobre os grandes temas que estarão em pauta nesta acirrada eleição municipal na Capital.

Para deixar o debate ainda mais acalorado, o PSDB já unificou seu discurso e deixou evidente a disposição de usar a greve nas universidades federais contra o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. No front petista, a estratégia é não entrar neste debate e tentar mostrar as atuais deficiências da gestão Gilberto Kassab (PSD), aliado político do candidato tucano José Serra.

José Serra, que escolheu como slogan de sua campanha a frase "Pra São Paulo seguir avançando", defende o legado de sua administração na Prefeitura, entre 2004 e 2006, e a gestão de Kassab. Segundo o tucano, em 2004 o número de creches na cidade era de 853, saltando para 1.493 nos dias atuais, representando um aumento de 60 mil para 205 mil vagas.

Serra concorda que ainda faltam vagas, mas destaca um dado positivo da atual gestão: "A Prefeitura passou a oferecer boas creches públicas e muitas mães, mesmo as que não tinham filhos em creches ou que tinham filhos em creches particulares, passaram a levar suas crianças para as creches públicas". Serra prega a ampliação na oferta de vagas através de novas construções e convênios com ONGs.

Independentemente das disputas políticas, Serra e os adversários do PT e do PMDB, Gabriel Chalita, têm uma meta comum: a educação em tempo integral. "Não há nenhum país no mundo, entre os 30 com as melhores colocações no ranking de boa educação do planeta, que não tenha adotado escola em tempo integral", argumenta Chalita, que foi secretário de Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB) entre 2002 a 2006.

Já Fernando Haddad, que foi ministro da Educação de 2005 até o início de 2012, defende o aumento do tempo de permanência do aluno com atividades educacionais extra sala de aula, envolvendo cultura e esporte. No projeto petista, o candidato prega a implantação do sistema de ensino integral a partir dos bairros com maior índice de vulnerabilidade social. O petista defende também a retomada das parcerias com os governos federal e estadual. E diz que não foi possível trazer importantes projetos para a cidade, como a Universidade Federal da Zona Leste, por falta de interesse. Segundo ele, a União tem verba disponível para a cidade, mas a gestão de Gilberto Kassab não aderiu aos projetos federais.

 

Turno da Fome

Na avaliação de Serra, é fundamental universalizar a pré-escola com turnos de seis horas até 2014, duas a mais que o estabelecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para 2016. E defende a educação em tempo integral aplicada a alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. "No final de 2004 (quando iniciou sua gestão na Prefeitura), quase 80% dos alunos estavam em escolas com três turnos diários. Era o terceiro turno, que ficou conhecido como turno da fome. Essa proporção caiu hoje para 3%." E cita que com dois turnos, a permanência nas escolas saltou de quatro para cinco horas. "Na ponta do lápis, a iniciativa fez com que os estudantes tenham quase dois anos a mais de aulas no ensino fundamental."

O tucano tem foco também na capacitação técnica. Ele cita que, desde 2009, os 22 CEUs da Capital oferecem cursos técnicos, que já totalizam 3.600 alunos. "O histórico mostra a importância dada à capacitação técnica que será, portanto, ampliada no município." Outra iniciativa que, na opinião de Serra, irá facilitar a entrada de jovens no mercado de trabalho, será a criação dos polos tecnológicos, digitais, de esportes e de comunicação. "Estimularemos programas de iniciação científica e o estudo de ciências e tecnologia que incentivem a geração de empregos em áreas que demandam cada vez mais mão de obra especializada."

Remuneração e formação continuada também são plataformas defendidas pelo tucano. Apesar de não entrar em detalhes de como isso ocorrerá em sua eventual gestão, ele cita o aumento no piso dos professores municipais de R$1.215 para R$ 2.600 ao longo de sua gestão e a de seu sucessor, Gilberto Kassab.

As propostas do petista Haddad e do peemedebista Chalita também visam os Centros Educacionais Unificados (CEUs). Haddad fala em recuperar os CEUs como polo de desenvolvimento local e de oferta de educação integral, transformando esses espaços culturais com a criação de anfiteatros e salas de artes. O candidato do PT acredita que é possível estimular atividades fora dos CEUs, integrando centros esportivos, bibliotecas, museus e parques no que chama de RedeCEU.

"Gosto do modelo do CEU, mas precisa ser em tempo integral. Nos moldes daquilo que o ex-governador do Rio, Leonel Brizola, começou a fazer, na construção dos CIEPs idealizados por Darcy Ribeiro. E que Anísio Teixeira fez, antes, na Bahia", propõe Chalita. O peemedebista, que introduziu o Programa Escola da Família na rede estadual, sugere a abertura das escolas municipais nos finais de semana nos moldes do projeto estadual.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.