Eduardo Jorge processa União e dois procuradores

O ex-secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas Pereira, ingressou na Justiça Federal com uma ação de reparação por danos morais contra a União e os procuradores da República Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb. A dupla do Ministério Público é acusada de "inegável má-fé" e de ter alimentado uma "campanha difamatória" nos veículos de comunicação, contra Eduardo. Durante mais de seis meses, o escritório de advocacia dos irmãos de Eduardo Jorge trabalhou na apuração das declarações de Luiz Francisco e Schelb na imprensa, para embasar a ação por danos morais. A União também é responsabilizada por sua "conduta omissiva, que permitiu os abusos cometidos, vedando qualquer forma de defesa eficaz".Pivô do chamado Caso EJ, o ex-secretário-geral da Presidência começou a ser investigado e bombardeado quando os procuradores descobriram, em 2000, inúmeras ligações telefônicas suas para o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, condenado pelos desvios milionários na obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Na ocasião, Eduardo Jorge foi comparado até mesmo a um "PC do governo Fernando Henrique Cardoso", uma alusão ao ex-tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias. Nos últimos dois anos, Eduardo Jorge teve sua vida devassada em uma série de inúmeras denúncias apresentadas pelo Ministério Público mas, até hoje, alega, nada foi comprovado contra ele. O último ataque foi desferido em fevereiro deste ano, quando Luiz Francisco o acusou, em entrevista à Rádio CBN, de fazer parte de uma "quadrilha" dentro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Na época, os advogados do ex-braço direito de Fernando Henrique entraram com uma ação criminal contra o procurador. Luiz Francisco chegou a negar, em sua defesa, que tivesse feito as declarações da forma como apareciam citadas no processo, mas recentemente a Polícia Federal encerrou uma transcrição da gravação, confirmando a autoria das frases. De acordo com os advogados, a moral de Eduardo Jorge foi de tal forma atingida que seu nome é veiculado de forma negativa em "livros, peças de teatro, charges e até em marcha de carnaval." Um concurso de vestibular, segundo eles, também incluiu perguntas sobre a atuação do ex-secretário-geral da Presidência. A ação pede que a quantia a ser definida pela Justiça para a reparação dos danos morais seja "de tal monta a promover não apenas uma justa compensação, mas o desestímulo à prática de novos ilícitos." O processo tramita na 6ª Vara Federal, em Brasília, com o juiz Plauto Ribeiro. Os acusados, inclusive a Advocacia-Geral da União, ainda não apresentaram defesa.

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