Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Eduardo e Carlos Bolsonaro dizem que operação contra 'gabinete do ódio' é inconstitucional

Filhos do presidente Jair Bolsonaro criticam o cumprimento das ordens judiciais expedidas pelo pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito das fake news, mirando nomes ligados ao governo

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 10h39

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filhos do presidente Jair Bolsonaro, usaram as redes sociais na manhã desta quarta-feira, 27, para criticar o cumprimento das ordens judiciais expedidas  pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito das fake news. Ambos afirmam que a ação determinada pelo Supremo Tribunal Federal é inconstitucional.

Agentes da Polícia Federal realizam 29 buscas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Entre os alvos estão aliados do governo e da família, como o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson; o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP); o empresário Luciano Hang; o blogueiro Allan dos Santos, do site bolsonarista Terça Livre; e a ativista bolsonarista Sara Winter.

De acordo com Carlos, a ação da PF pode ser proposital. "O que está acontecendo é algo que qualquer um desconfie que seja proposital. Querem incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico sobre o pretexto de uma palavra politicamente correta? Você que ri disso não entende o quão em perigo está!", afirmou em postagem feita no Twitter.

O vereador integra o chamado 'gabinete do ódio', instalado no Palácio do Planalto, apesar de não compor o governo do pai. O grupo forma a ala ideológica bolsonarista, apoiada também por parlamentares. A ação desta quarta, aliás, ainda mira os deputados federais: Daniel Lúcio da Silveira (PSL-RJ), Beatriz Kicis (PSL- DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (PSL-PR), Geraldo Junio do Amaral (PSL-MG) e Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP), além dos deputados estaduais  Douglas Garcia Bispo dos Santos (PSL-SP) e Gil Diniz (PSL-SP). Todos considerados próximos ao presidente.

Eduardo Bolsonaro também foi às redes questionar a legitimidade da operação determinada por Alexandre de Moraes. "Esse não é aquele inquérito que a PGR (ex-procuradora-geral da República) Raquel Dodge pediu para arquivar mas o Min. STF Alexandre de Moraes não permitiu e deu continuidade? Achei que não existisse processo judicialiforme no Brasil... Não é o MP/PGR titular da ação penal?"

O deputado compartilhou um vídeo que mostra a imprensa de plantão na casa do blogueiro Allan dos Santos com o seguinte comentário: "Aos que acreditavam que o Brasil teria medidas autoritárias após as eleições de 2018 acertaram, só não contavam que a ordem ditatorial não viria do presidente que eles tanto xingam de ditador." Os jornalistas estão na calçada. de plantão.

Na sequência, Eduardo mandou um recado às colegas Bia Kicis e Carla Zambelli: "Prezadas,vale lembrar que deputado só pode ser preso mediante flagrante delito de crime inafiançável. Se for para ser ouvido o deputado é que marca hora e local. Quem não respeitar isso comete, no mínimo, abuso de autoridade", avisou. O STF, no entanto, não expediu ordens de prisão, mas apenas de busca e apreensão.

O inquérito aberto em 14 de março de 2019, por portaria assinada pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, tem como foco investigar a existência de uma rede de divulgação de notícias falsas contra autoridades, além de seus financiadores.


 

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