Ed Ferreira/Estadão - 23.12.2014
Ed Ferreira/Estadão - 23.12.2014

Eduardo Cunha nega elo com Lava Jato e se diz alvo de ataque

Procuradoria vai pedir à Justiça para investigar parlamentar do PMDB, candidato à presidência da Câmara, por suspeita de envolvimento com esquema de desvios na Petrobrás, segundo jornal

O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2015 | 10h53

São Paulo - O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou na manhã desta quarta-feira, 7, que a citação de seu nome na Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobrás, é uma "tentativa política de atacar" sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados. Em sua conta no Twitter, Cunha negou envolvimento com o esquema e disse que não admitirá prejuízos à sua campanha. "No momento em que defendo a Câmara independente, aparecem aqueles patrocinados não sei por quem a divulgar parcialmente fatos inexistentes", escreveu.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quarta, o Ministério Público Federal vai pedir aval ao Supremo Tribunal Federal para investigar Cunha. O nome do deputado foi citado no depoimento do policial federal Jayme de Oliveira Filho, que fazia entregas de dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef. O policial afirmou que teria levado valores ao parlamentar em sua casa no Rio.

Cunha afirmou desconhecer Jayme e o doleiro Youssef. Segundo o deputado, o condomínio citado no depoimento pelo policial para a entrega do dinheiro não é o dele e que o advogado do investigado na Lava Jato teria feito uma petição para esclarecer o endereço. "Repito: não conheço o cidadão, não fui acusado de nada e meu endereço é outro, completamente diferente", escreveu. Cunha argumentou que, em depoimento, o policial fala que "ouviu dizer" que o endereço é do parlamentar, mas não pode afirmar que entregou o dinheiro a ele.

O deputado disse ainda que "a divulgação de fatos inexistentes" não vai constrangê-lo e reafirmou inocência. "Não devo, não temo nada, o fato não existe e nem acusação tem."

Cunha afirmou que vários de seus apoiadores foram procurados por defensores de "outra candidatura" para avisar que haveria uma "bomba" contra ele. "Se a pólvora da bomba deles é dessa qualidade, será tiro de festim na água", disse. "É lamentável que oponentes meus usem desse expediente baixo tentando me desqualificar."

Apesar de pertencer ao principal partido da base aliada do governo Dilma, Eduardo Cunha protagonizou embates o Planalto no ano passado. O parlamentar está em campanha pela presidência da Câmara com um discurso pela "independência" e a "altivez" da Câmara em relação ao Executivo. O PT busca apoio pela candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.