Cristhyana Abreu/Divulgação
Cristhyana Abreu/Divulgação

Eduardo Cunha é malhado como Judas em Fortaleza

Cortejo com membros dos sindicatos de Serviços de Saúde, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) escolheram o líder da Câmara para evento anual de malhar o judas

CARMEN POMPEU, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2015 | 19h25

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi malhado como Judas, em cortejo que o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Ceará (Sindsaúde) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizaram na manhã desta quinta-feira, 2, em Fortaleza. "Escolhemos o Eduardo Cunha, porque ele representa o que há de mais atrasado na política brasileira", disse Marta Brandão, presidente do Sindsaúde.

O grupo, formado por 300 pessoas, partiu da Praça da Lagoinha e andou por quase um quilômetro até a Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, onde foi lido o seguinte "testamento" do boneco que simbolizava o presidente da Câmara: "Tendo por alvo os direitos dos nossos trabalhadores, vamos fazendo os ajustes nesse planalto de dores, cercado de chantagistas, vilões e achacadores, relembrando a Via Crucis, que estremece a Nação, expondo o trabalhador à constante humilhação com restrição de direitos e à terceirização".

O sindicalista Aguinaldo Aguiar informou que a ideia do cortejo foi relembrar a Via Crucis do trabalhador brasileiro e mostrar que, "com um Congresso mais conservador, os desafios são ainda maiores para a classe trabalhadora". Segundo o sindicalista, o nome de Eduardo Cunha foi escolhido para Judas, porque ele pautou para este mês de abril o Projeto de Lei (PL) 4330, que expande a terceirização. Os trabalhadores se queixam de não ter havido, até o momento, qualquer tipo de negociação com as centrais sindicais.

Na opinião de Aguinaldo Aguiar, o PL vai "liberar geral" a terceirização e deixar o serviço público no Brasil em uma situação ainda mais difícil. "Pelo clima do Congresso, mais especificamente na Câmara, onde a bancada empresarial tem 221 representantes contra 51 da bancada sindical, se não houver uma articulação nacional, rápida e permanente, o PL 4.330, será aprovado sem nenhum problema. Cabe aos sindicatos agora mobilizarem os trabalhadores em defesa da democracia", avaliou o sindicalista.

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