Eduardo Cunha e Jaques Wagner trocam acusações sobre 'baganha política'

Presidente da Câmara e ministro da Casa Civil passaram o dia rebatendo declarações sobre negociações no Planalto

DANIEL CARVALHO, ISADORA PERON, CARLA ARAÚJO, GUSTAVO PORTO e IGOR GADELHA, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, passaram esta quinta-feira, 3, trocando acusações pela imprensa. Logo de manhã, o peemedebista convocou uma entrevista e acusou a presidente Dilma Rousseff de ter “mentido à Nação” ao dizer, durante o seu pronunciamento anteontem à noite, que o governo não fez “barganha” política para evitar a abertura do processo de impeachment contra ela.

Segundo Cunha, a própria presidente teria se encontrado com o deputado André Moura (PSC-SE) e oferecido a ele os três votos do PT para arquivar o processo de cassação do peemedebista no Conselho de Ética. Em troca, Dilma teria exigido a aprovação da CPMF, conhecido como imposto do cheque e considerado essencial para o Planalto recuperar as finanças públicas.

“A presidente mentiu à Nação, mentiu quando disse que o governo não autorizou qualquer barganha”, afirmou Cunha. “Ela estava participando de uma negociação”, disse. “O governo tem muito a explicar à sociedade. A barganha esteve com o governo, não comigo.”

Apesar de Moura ser um dos seus principais aliados, Cunha disse que a negociação ocorreu “à sua revelia”. O peemedebista reiterou ser adversário do PT e menosprezou os três votos do partido no Conselho de Ética. “Sempre preferi que não tivessem (a meu favor) os votos do PT no conselho”, ressaltou.

“A palavra que vale é a do presidente Eduardo Cunha”, disse Moura, enquanto tentava se esquivar de jornalistas. Ele passou o dia sem atender ligações e evitou ao máximo comentar o assunto.

Reação. As declarações tiveram reação imediata do Planalto. O ministro Jaques Wagener foi escalado, ainda de manhã, para sair em defesa da presidente. “Quem mentiu foi o presidente da Câmara”, disse Wagner, salientando que Moura teve um encontro com ele, não com Dilma. “O deputado André Moura esteve comigo e eu sempre discuti com ele, como emissário do presidente da Câmara, a pauta econômica, a DRU, a CPMF, a repatriação.”

Novamente confrontado com o assunto, Cunha disse que mantinha a sua versão sobre a barganha que o governo teria tentado fazer para barrar o processo de impeachment. 

Já o ministro declarou, em outra entrevista, que nem ele nem a presidente iriam ficar “batendo boca” com o peemedebista. “Ele falou uma mentira. Eu não podia deixar em branco uma acusação sobre a presidente da República e, como meu nome foi citado, eu rebati”, pontuou.

Para Wagner, o objetivo de Cunha ao dizer que Moura esteve com Dilma é tentar jogar o foco da crise sobre a presidente. Em suas falas, o ministro fez questão de reforçar a tese do governo de que o fato de Cunha ter aceitado abrir o processo de impeachment trouxe alívio e fez com que as “chantagens” chegassem ao fim. “Agora isso tudo sai da coxia e vai para o palco. Acaba a chantagem.” Em outro momento, afirmou que “agora que a faca foi puxada, as coisas vão começar a ficar mais claras”. 

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