André Dusek/Estadão
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Eduardo Cunha diz que delator foi pressionado por procurador-geral

Investigado na operação Lava Jato, presidente da Câmara diz que há articulação entre PGR e Executivo para constranger o Legislativo 

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho , O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2015 | 18h16

Brasília - Em reação à informação de que o delator da Operação Lava Jato, Júlio Camargo, informou à Justiça Federal que ele teria pedido US$ 5 milhões em propina por contrato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na tarde desta quinta-feira que Camargo foi obrigado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a mentir. "O delator foi obrigado a mentir", disse Cunha após reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tratar da agenda legislativa do segundo semestre. 

Eduardo Cunha disse achar "muito estranho" a afirmação de Camargo acontecer na véspera do pronunciamento que ele fará em rede nacional de rádio e TV "e em uma semana que a parte do Poder Executivo envolvido no cumprimento dos mandados judiciais tenha agido com aquela fanfarronice toda", disse ele, em referência à operação Politeia, da Polícia Federal.

"Ou seja, há um objetivo claro de constranger o Poder Legislativo e que pode ter o Poder Executivo por trás em articulação com o procurador-geral da República", acusou.Cunha disse achar "estranho" que, num período de aprofundamento de discussão de um eventual pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, querem "constranger o Poder Legislativo". "Acho isso um absurdo e não vou aceitar ser constrangido", avisou. 

O peemedebista criticou o "estardalhaço" feito na Operação Politeia, "com helicóptero em prédio de senador". O presidente da Câmara disse que não se deixará fragilizar pelo episódio.

Sobre o depoimento de Camargo, Cunha reiterou que se trata de "ilação" e que sua fala não traz nenhum fato concreto. "Esta delação que foi feita dele não existe. Ela é nula porque foi homologada por autoridade incompetente. Se eu faço parte da delação dele, não é o juiz que poderia homologá-la", concluiu.

Cunha terá um pronunciamento em cadeia de rádio e TV amanhã e não pretende alterar seu discurso. Ele explicou que o pronunciamento será sobre as atividades da Casa e não para sua defesa pessoal. 

Ele se dispôs a retornar na CPI da Petrobras para prestar esclarecimentos, se for necessário. Também se colocou à disposição para participar de acareação com o delator, que já foi convocado. "Eu faço olho no olho com quem quiser, não tenho dificuldade nenhuma de rebater quem quer que seja. Quem não deve não teme. E ele está mentindo. E o delator tem que provar sua mentira. O ônus da prova é de quem acusa", afirmou.

O peemedebista não demonstrou preocupação com os depoimentos dos representantes da Mitsui e da Samsung Heavy Industries, que estavam marcados para esta semana e serão reagendados. "Que investiguem tudo". (Daiene Cardoso e Daniel Carvalho) 

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