Andre Lessa/Estadão
Andre Lessa/Estadão

Eduardo Campos defende Lula de acusações da Operação Porto Seguro

Governador de Pernambuco diz que, assim como FHC, petista cometeu erros, mas que ele 'merece respeito' do Brasil

Elizabeth Lopes, da Agência Estado

03 de dezembro de 2012 | 18h38

SÃO PAULO - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, defendeu nesta segunda-feira, 3, o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem sendo alvo de pressão da oposição e de setores da própria situação após a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que levantou suspeita de corrupção e tráfico de influência envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha, pessoa próxima ao petista e que chegou a esse posto por sua indicação.

Indagado se Lula devia explicações à sociedade, Campos afirmou: "Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) na história, de líderes que têm imperfeições, que cometeram erros, todos os dois, mas que legaram ao Brasil, cada um a seu tempo, algo que é importante para a vida brasileira até hoje (a democracia). O presidente Lula merece, do Brasil, respeito."

Campos destacou que pode ter até algumas divergências com Lula, mas é fundamental compreender o papel que ele teve na construção do País e que os que ainda não tiveram essa compreensão deverão tê-la daqui a 10, 20 ou até 30 anos. Apesar da defesa de Lula, o governador de Pernambuco defendeu que se apure tudo no âmbito desse escândalo e que as pessoas que usaram cargos públicos para tráfico de influência sejam punidas dentro da lei. "É preciso que se apure tudo e os responsáveis (por práticas ilegais) sejam punidos com o rigor da lei. O Brasil tem mudado, não se aceita mais que uma carga tributária de quase 36% possa ser administrada por práticas patrimonialistas, que não é mais admitido. E (o Brasil) tem mudado", frisou, citando como exemplo a independência que certas instituições, como a Polícia Federal, têm para agir.

Ao falar de Lula, o presidente nacional do PSB disse que o petista prestou ao Brasil um papel de grande relevância: "Ele, como um líder popular, viveu momentos difíceis na história, na ocasião em que faltava democracia ao País. Depois, chegou à Presidência da República e teve o equilíbrio de garantir um rumo seguro para a economia brasileira, ganhou prestígio, inclusive no exterior. Além disso, legou independência à Polícia Federal, como se vê até hoje, nomeou 8 ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiram com isenção sobre um episódio que, no passado, jamais seria objeto de julgamento no Supremo. E estamos vendo um Ministério Público que não engaveta mais e que denuncia. Este é o legado que eu vejo do presidente Lula." As afirmações do governador foram feitas após o seminário "Novos ventos na política brasileira", promovido pelo jornal Valor Econômico.

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), presente ao evento, também foi questionado sobre a Operação Porto Seguro da Polícia Federal e disse que antes de se fazer qualquer avaliação ou julgamento dos acontecimentos, é preciso aguardar a conclusão das investigações. Haddad não acredita que este escândalo possa atingir, de alguma maneira, o ex-presidente: "Não é questão de imunidade (de Lula a essas denúncias), pois as pessoas conhecem o presidente suficientemente bem para saber (que ele não tem ligação com o escândalo)". Sobre a provável atuação dos investigados pela Polícia Federal no Ministério da Educação, o prefeito eleito disse que o atual ministro Aloizio Mercadante já abriu sindicância e prometeu uma resposta rápida para o assunto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.