Ed Ferreira/Estadão
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Eduardo Campos critica política federal de desoneração tributária

Para o governador de PE, medidas são responsáveis pela redução da capacidade de investimentos dos Estados e dos municípios

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2012 | 19h13

BRASÍLIA - Em meio às especulações do lançamento de sua candidatura à Presidência da República em 2014, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, criticou nesta sexta-feira, 30, a política de desoneração tributária promovida pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Diante de uma plateia de 443 prefeitos eleitos pelo PSB, Campos afirmou que essas medidas são responsáveis pela redução da capacidade de investimentos dos Estados e dos municípios, que acabaram penalizados com a perda de receita.

"Precisamos começar políticas de desoneração que não sejam só para um segmento ou outro, porque às vezes um segmento impacta mais num Brasil e não impacta em outro Brasil. Se vamos fazer desonerações tributárias que vão ser carregadas nas costas sobretudo do Brasil mais profundo, a gente precisa também desonerar para a economia dessa área. Se vamos fazer desonerações tributárias, vamos fazer também transversais, ou seja, para todos", discursou Campos. "Temos que ter mecanismos de compensação pelas desonerações tributárias", emendou.

Umas das maiores queixas são as desonerações no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Renda (IR) concedidas pelo governo federal e que têm impacto direto na distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). "Se é importante que desonere para a indústria automobilística, também é importante que se desonere para pequena iniciativa, para a agricultura familiar, para a média empresa brasileira, para o setor de serviços, para quem emprega muito, para a indústria alimentícia", afirmou o governador.

Para evitar que seu discurso fosse interpretado como uma plataforma de campanha presidencial para 2014, Campos foi cauteloso e fez questão de afirmar que as críticas não devem ser "eleitoralizadas". Frisou ainda que o PSB faz parte da base de apoio do governo Dilma Rousseff, a quem ajudou a eleger em 2010. "Não é hora de eleitoralizar o debate brasileiro, não é hora de inventar brigas que não existem nem disputas que não levam a nada. É hora de pensar no Brasil", disse o governador, que foi ovacionado pela plateia de prefeitos.

Preocupado com os reflexos da crise financeira internacional na economia brasileira, Campos enfatizou que é preciso ajudar a presidente Dilma a superar este momento. "O mundo está vivendo um processo de uma grave crise econômica, há uma pauta urgente diante de nós, que é botar o Brasil para voltar a crescer. Estamos na base do governo da presidente Dilma, ajudamos a eleger a presidente Dilma, estamos ajudando ela a governar, temos uma relação com a presidenta de grande respeito, de grande admiração e vamos ajudá-la a ganhar o ano de 2013", afirmou.

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