Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Eduardo Bolsonaro vai a Cúpula Conservadora das Américas

O filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do presidente eleito Jair Bolsonaro e responsável por indicar dois ministros para o próximo governo, estará no painel que discutirá cultura

Mariana Haubert, enviada especial a Foz do Iguaçu, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2018 | 11h55

FOZ DO IGUAÇU - Em um esforço para desenvolver um protagonismo internacional, o deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) ciceroneará conservadores brasileiros e latino-americanos neste sábado, 8, na Cúpula Conservadora da Américas, evento realizado em Foz do Iguaçu (PR). 

Para o deputado Fernando Francischini (PSL-PR), um dos também organizadores do evento, a ideia é fazer um contraponto ao Foro de São Paulo, organização de partidos e entidades de esquerda que se reúne desde os anos 80. "Queremos mostrar que na América também existem autoridades que pensam de maneira conservadora nos costumes, mas liberal na economia", disse o parlamentar ao Estado.

O deputado afirmou que os últimos governos de esquerda da região foram muito prejudiciais e, por isso, é preciso agora organizar o pensamento conservador nos países americanos. De acordo com o parlamentar, a Cúpula Conservadora é uma primeira iniciativa de aproximação com quem pensa dessa forma na região. 

"É uma iniciativa para a gente começar a se conhecer, saber quem são as pessoas que pensam como a gente. É um primeiro passo de aproximação para uma formação de quadros", disse. 

Questionado sobre se a cúpula conservadora poderia receber da esquerda o mesmo tipo de crítica que o Foro de São Paulo recebeu da direita, Francischini afirmou não acreditar nesta hipótese porque, segundo ele, os objetivos da cúpula são diferentes dos expressados pelo foro. 

"Contestamos sempre os objetivos do foro e não a existência dele em si. Ali era uma política de multiplicação da esquerda na América do Sul. O que vai nos diferenciar dependerá do resultado da cúpula. [Nosso objetivo] É o bem comum dos cidadãos dos países da América do Sul, desenvolver o comércio e segurança na fronteira", afirmou. 

Inicialmente, a cúpula deveria ter acontecido em julho, mas foi adiada porque Jair Bolsonaro desistiu de comparecer sob o argumento de que sua participação no evento poderia gerar questionamentos da Justiça Eleitoral. 

Eduardo Bolsonaro tem focado sua atuação na esfera internacional e quer se tornar uma liderança nesta área. Por isso ele tomou a frente da organização do evento. A Cúpula Conservadora reunirá conservadores de diversos países latino-americanos na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai. Quatro mesas-redondas tratarão de cultura, segurança, economia e política. O evento é realizado pela Fundação Indigo de Políticas Públicas, que pertence ao PSL e tem mais de 2 mil inscritos. 

No encerramento da cúpula, os principais participantes deverão redigir um documento final com as principais diretrizes que serão discutidas ao longo do sábado. 

O filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do presidente eleito Jair Bolsonaro e responsável por indicar dois ministros para o próximo governo, estará no painel que discutirá cultura. Sua participação, no entanto, será por videoconferência. Com ele estará também o deputado eleito e descendente da família real brasileira, Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Esta mesa será comandada diretamente por Eduardo Bolsonaro. 

Francischini será o responsável pela mesa sobre segurança. Ele debaterá com o ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (também por videoconferência) e Fidel Zavala, senador paraguaio. 

A mesa sobre economia será comandada por Agustin Etchebarne, diretor da Fundação Liberdade e Progresso. Ele discutirá com os irmãos Weintraub, Abraham e Arthur. Eles integram a equipe de transição de governo de Bolsonaro e são responsáveis pelo tema da Previdência. Abraham também foi indicado para ser o secretário-executivo da Casa Civil. 

Já o painel sobre política terá a mediação feita por Allan dos Santos, apresentador do programa Terça Livre, e a participação de Miguel Ángel Martín, presidente do Supremo Tribunal Federal venezuelano e atualmente exilado nos Estados Unidos, e Mônica de Greiff, ex-ministra da Justiça na Colômbia. 

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