Eduardo Bolsonaro faz gesto de arma enquanto posa junto a escultura contra a violência

Monumento, que retrata um revólver com o cano amarrado, foi produzido em homenagem a John Lennon depois do assassinato do músico

Da Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 16h56

SÃO PAULO - O deputado Eduardo Bolsonaro, filho "03" do presidente Jair Bolsonaro e candidato a embaixador do Brasil em Washington (EUA), postou nesta quinta-feira, 26, nas redes sociais, uma foto em que faz gesto de arma enquanto posa junto a escultura desarmamentista da entrada das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O monumento é uma versão de obra feita em homenagem a John Lennon. Ao defender sua imagem em novo post nesta sexta, 27, o deputado indaga: "O que aconteceria se John Lennon estivesse armado?".

O monumento, chamado de Non-Violence ("sem violência", em inglês), retrata um revólver com o cano amarrado. A escultura do artista sueco Carl Fredrik Reuterswärd foi produzida a pedido de Yoko Ono, viúva de John Lennon, depois do assassinato a tiros do músico, que era um ativista pela paz. A obra foi inicialmente colocada no Central Park, em frente de onde o casal morava. Em 1988, uma versão da escultura foi instalada na ONU.

"As operações de paz da ONU acertadamente usam armas. Mas na entrada do prédio da ONU em NY fica essa escultura desarmamentista. Como todo bom desarmamentista eis a máxima 'armas para mim, desarmamento para os outros'", escreveu Eduardo em seu primeiro post sobre o assunto. Ele quer ser indicado pelo pai para virar embaixador nos EUA, mas precisa do voto favorável de ao menos 41 dos 81 senadores.

Depois da repercussão, o deputado voltou ao Facebook para defender seu ponto de vista. Ele argumenta que o monumento ignora o "uso defensivo das armas de fogo". "A escultura desarmamentista na entrada da ONU serve para depreciar o papel fundamental das armas na garantia da segurança, das liberdades e da paz", escreveu.

"O que aconteceria se John Lennon estivesse armado? Que tal botar na entrada da ONU os fuzis usados pelos founding fathers (pais fundadores dos EUA)?", sugere o filho do presidente Brasileiro. Eduardo argumenta que o assassinato de Lennon é usado para silenciar quem é a favor do uso de armas para "legítima defesa".

Por fim, Eduardo conclui seu post pedindo que "ao menos" se coloque "na entrada da ONU as mãos do assassino de John Lennon, pois o revólver não atirou sozinho".

Decretos

Depois de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro editou decretos flexibilizando a posse e o porte de armas, uma das suas bandeiras de campanha.

A constitucionalidade dos atos foi questionada múltiplas vezes na Justiça e a Procuradoria-Geral da República, quando Raquel Dodge ainda era a titular do órgão, se manifestou contra as regras editadas pelo presidente. Ela alegou que ele estava usurpando a competência do Congresso.

Algumas das mudanças feitas por Bolsonaro já foram revogadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.