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Eduardo Bolsonaro é acusado de ameaçar vice-presidente da OAB-DF na Câmara

'Te pego lá fora', teria dito o deputado federal, de acordo com Daniela Teixeira, que abriu mão de sair escoltada pela Polícia Legislativa e deixou a Casa acompanhada de assessores, parlamentares e militantes

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2016 | 15h39

BRASÍLIA - O deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) é acusado de ameaçar a vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal, Daniela Teixeira, nesta quarta-feira, 14, durante a Comissão Geral destinada a discutir a violência contra a mulher e a cultura do estupro.

"Te pego lá fora", teria dito Eduardo Bolsonaro, de acordo com a vice-presidente da OAB do DF. Daniela Teixeira abriu mão de sair escoltada pela Polícia Legislativa e saiu da Câmara acompanhada de assessores, parlamentares e militantes. Pai de Eduardo Bolsonaro, o também deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi criticado por Daniela durante a sessão no plenário.

A advogada defendeu o julgamento e a condenação do parlamentar, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria e apologia ao estupro. Após a fala da vice-presidente da OAB, Bolsonaro-pai se exaltou e começou a gritar no plenário ao lado do filho exigindo direito de resposta. Ele discursou por cinco minutos na tribuna e se defendeu da acusação.

A advogada cogitou registrar uma ocorrência no Departamento da Polícia Legislativa da Casa, mas adiou o ato para aguardar uma eventual manifestação da OAB. Para Érika Kokay (PT-DF), o ato dos deputados foi "fascista". "É um absurdo. Foram várias agressões contra uma mulher em uma comissão destinada a discutir a violência contra as mulheres", declarou. Ela ainda não sabe se vai denunciar o fato no Conselho de Ética. Ao deixar a Câmara, Daniela não quis comentar o caso.

Durante a sessão da manhã desta quarta-feira, 14, Bolsonaros pai e filho pediram a palavra e apresentaram diversas questões de ordem. Entre um discurso e outro, apoiadores de Jair Bolsonaro gritavam seu nome e defendiam o projeto do deputado que prevê a castração química de estupradores. "Defensora do estuprador Champinha", gritava Bolsonaro no plenário para Maria do Rosário (PT-RS), que presidia a sessão.

 

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