GABRIELA BILO / ESTADÃO
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Eduardo Bolsonaro desdenha de punição: ‘para ser sincero, não me preocupa’

Executiva Nacional do PSL decidiu suspender atividades partidárias do filho do deputado federal por um ano

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 22h32

BRASÍLIA O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que a decisão da cúpula do PSL de suspender os seus direitos políticos-partidários por um ano “não o preocupa”. O filho do presidente desdenhou da possibilidade de perder a liderança do partido na Câmara e afirmou que vai aproveitar o "gancho" para se dedicar à formação do Aliança pelo Brasil, partido criado pelo presidente Jair Bolsonaro após o racha dentro do PSL. 

“Para ser sincero, não me preocupo com isso (a saída do partido). É óbvio que sair do partido implica em sair das comissões, mas nada disso me faz perder o sono porque a minha moral com o meu público continua a mesma. Agora, eles que vão ter que se explicar”, afirmou. 

Nesta quarta-feira, 27, em uma retaliação ao grupo político de Bolsonaro, a cúpula do PSL decidiu suspender 14 deputados “bolsonaristas” que são alvo de processos disciplinares. O deputado Eduardo Bolsonaro, filho “03” do presidente, foi um dos quatros parlamentares a receber a maior punição e ficará proibido de exercer atividades partidárias por um ano. 

Na prática, Eduardo deve perder a liderança do PSL na Câmara e cargos em comissões, como a vaga de suplente na CPI das Fake News. Ele só manteria o comando da Comissão de Relações Exteriores porque foi eleito pelos demais integrantes do colegiado e, pelo regimento da Casa, fica imune a quaisquer alterações feita pelo partido.

“Nunca imaginei que seria cassado por deputados que durante a eleição falaram que ia colocar as suas energias para tentar acabar com a corrupção sendo que eu não cometi nenhum crime. Não roubei, não cometi corrupção e nada disso”, afirmou o deputado ao Estado.

A decisão da cúpula do PSL ainda precisa ser referendada pelo diretório nacional na semana que vem. O colegiado é controlado pelo presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), e não deve mudar o resultado da Comissão Executiva Nacional.

A suspensão de Eduardo e de aliados frustra as expectativa da ala ligada a Bolsonaro, que contava com uma punição mais dura, como a expulsão, para poder deixar o PSL sem o risco de perder o mandato. Pela regra da fidelidade partidária, um deputado não pode deixar o partido pelo qual foi eleito sob risco de perder o cargo.

Questionado se isso seria um problema, Eduardo negou.

“Vou aproveitar para fazer aquilo que falei no discurso da embaixada (quando anunciou a desistência de ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos). Vou rodar o País, aproximando o governo, fazendo o regaste histórico, falando sobre o conservadorismo”, afirmou o parlamentar. 

“Vou focar no País. Vamos fazer eventos em todos os Estados”, disse o filho do presidente.

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