Edinho rebate grevistas da EBC e diz que é normal empresa contratar sem concurso

'Você contrata jornalistas, apresentadores por aquilo que você quer para o programa, um locutor, você contrata para o desenho que você faz do programa, é assim em qualquer empresa', disse o ministro da Secom

Ana Fernandes e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2015 | 11h50

Atualizado às 16h02 para inclusão de novo posicionamento da EBC

 

São Paulo - O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, rebateu as reivindicações de funcionários da EBC em greve que faziam manifestação em frente ao centro de convenções onde ele estava, na capital paulista. O ministro disse ser natural que uma empresa de comunicação faça contratações sem ser por concurso. "Você contrata jornalistas, apresentadores por aquilo que você quer para o programa, um locutor, você contrata para o desenho que você faz do programa, é assim em qualquer empresa", disse o ministro.

Algumas dezenas de funcionários protestaram com cartazes e faixas, além de fazerem barulho com um carro de som enquanto acontecia a entrevista coletiva do ministro do lado de dentro. Segundo Priscila Kerche, jornalista e representante dos empregados da EBC, 50% dos contratados da estatal não são concursados e portanto sujeitos a terem conseguido o emprego por meio de indicação política.

Em nota ao Estado, a estatal afirmou que 93,45% de seus 2.607 funcionários têm vínculo efetivo com a administração, e 170 não são concursados. Em relação aos cargos comissionados, que a EBC não informou quantos são, pelo menos 60% são ocupados por servidores de carreira, segundo a estatal - ou seja, até 40% dos cargos de confiança são preenchidos por indicados de fora dos quadros do governo.

Entre os cartazes carregados pelos manifestantes, estava um explicitando nomes que eles acusam serem de indicação política. Entre eles está o nome da mulher do secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, Tássia Alves, que é assessora e tem salário de R$ 12.500 segundo os manifestantes. Também são citados Regina Silvério, secretária executiva, com salário de R$ 22.965; Katia Vaz, diretora, com salário de R$ 25.136; e Manoel Araújo, superintendente, com salário de R$22.965. "Queremos o fim dos privilégios, a EBC não pode ser cabide de empregos", afirmou Priscila Kerche.

Edinho alegou que sua prioridade no diálogo com os funcionários, quando "passar a radicalidade", é discutir formas de reestruturar a EBC para melhorar a qualidade dos programas das emissoras e conquistar uma maior audiência. "Não pode uma empresa que tem o orçamento que a EBC tem, ter índices tão baixos de audiência e, portanto, não estar prestando serviço a contento para a sociedade brasileira", afirmou.

Campanha salarial. Edinho criticou a postura que considerou "imatura" dos funcionários da EBC na negociação de reajuste salarial. "Eles se retiraram da mesa de negociação e deflagraram greve. Isso talvez seja imaturidade das lideranças. A greve é o último instrumento no processo de negociação."

Os funcionários alegam que o governo ofereceu reajuste de 3,5% muito abaixo da inflação acumulada no ano, que se aproxima de 10%. Eles pedem reajuste de inflação mais R$ 450 de forma linear para todos os cargos. Eles estão em greve desde terça, 10.

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