Ecumenismo marca velório de Ruth Cardoso em São Paulo

Ex-primeira-dama faleceu na última terça-feira em São Paulo, aos 77 anos, vítima de um enfarte fulminante

25 de junho de 2008 | 17h26

O velório da ex-primeira-dama Ruth Cardoso foi marcado nesta quarta-feira, 25, pela presença de políticos de diferentes correntes partidárias e ideológicas, empresários e integrantes do meio cultural na Sala São Paulo. Ela faleceu na última terça, aos 77 anos, vítima de um enfarte fulminante. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao velório por volta das 18 horas, acompanhado da mulher, Marisa Letícia, e vários ministros. Lula deu um abraço no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, com ele, foi até o caixão, onde conversaram cerca de um minuto. FHC tirou constantemente os óculos para enxugar as lágrimas.   Veja também: Imagens do velório Muito emocionado, FHC recebe cumprimentos de amigos Especial: cronologia da antropóloga Ruth Cardoso  Antropóloga, Ruth Cardoso era intelectual reconhecida 'Ruth Cardoso deu novo sentido ao papel de primeira-dama' Ruth foi mais que uma primeira-dama, dizem políticos Serra e Alckmin lamentam morte de Ruth Cardoso Lula diz que morte de Ruth 'é uma grande perda' para o Brasil Galeria de fotos da trajetória de Ruth Cardoso    O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin afirmou que Ruth deixa "bons exemplos de vida acadêmica e política". " O Brasil perde uma grande dama que nos deixa bons exemplos de vida acadêmica e política. Ela é como uma das fundadoras do PSDB.Ela sempre teve uma posição de vanguarda progressista, transmitimos ao FHC nosso carinho e o presidente está emocionado. Foi uma vida de décadas juntos mas ele vai superar", disse. O presidente do PSDB nacional, senador Sérgio Guerra, afirmou que "o PSDB sempre teve ela como referência. Ela honrava o partido. E deixa um exemplo de dignidade".   O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que Ruth construiu carreira própria e nunca se valeu da posição de primeira-dama. "Ela nunca se posicionou apenas como esposa do intelectual, professor ou político Fernando Henrique Cardoso. Ela era a intelectual, a professora Ruth Cardoso e imprimiu uma marca muito própria como primeira-dama do país, denominação de que não gostava. Durante os oito anos em que esteve à frente do trabalho social, usou o viés menos de dar o peixe e mais de ensinar a pescar", afirmou Cabral, que participou de um seminário sobre o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.   O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) lamentou a morte da ex-primeira-dama. "Perde o Brasil uma referência intelectual. Neste momento de dor, quero expressar o meu sentimento de pesar ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aos demais familiares", disse em nota. O deputado Raul Jungmann diz que tentou falar com Ruth à noite. "Eu liguei ontem (terça) por volta das 7h30, 8, para saber como ela estava e ela estava em outra ligação e disse que retornaria em seguida. Liguei para o FHC e ele também não pôde atender. Digo isso pelo impacto e surpresa para todos nós. Ela foi uma primeira-dama que não sumiu na sombra do presidente e que se transformou num símbolo porque tinha identidade e opinião."   Afirmando ter muito respeito pela ex-primeira-dama, a ex-prefeita Marta Suplicy destacou seu papel na luta feminista. "Participamos muitos anos de um grupo feminista. Ela tinha consciência clara do papel da mulher e ajudou seu marido a perceber isso. Como primeira-dama, termo que ela não gostava de ser chamada, desempenhou um papel muito inovador e foi modelo para varias gerações", disse.   O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi ao velório, mas evitou dar entrevistas.   Leia outras repercussões:   Fernando Pimentel (PT), prefeito de Belo Horizonte:  "Foi uma figura pioneira na implantação de programas sociais, como o Comunidade Solidária. "Dona Ruth Cardoso teve sua vida marcada por uma atuação firme no combate à pobreza e às desigualdades sociais, bem como um olhar diferenciado sobre a sociedade brasileira."   Senador Pedro Simon (PMDB-RS): "Ela foi intelectual respeitada, de estilo discreto, e criadora do programa social Comunidade Solidária". Simon acrescenta que Ruth "foi uma pessoa digna que marcou fortemente sua presença na história do País pela sua preocupação sincera e ações práticas em benefício dos excluídos."   Governador de Sergipe, Marcelo Déda: "Ela foi intelectual ativa, cidadã comprometida com a causa da democracia, militante da luta contra as injustiças sociais." Déda destaca o trabalho dela à frente do programa Comunidade Solidária, no governo do marido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O governador diz ainda, na nota, que testemunhou, na época, o compromisso da então primeira-dama "com o avanço da organização da sociedade civil" e a sua determinação em colaborar para o País ter "um novo paradigma - ético, moderno, democrático e independente - para a atuação das organizações não-governamentais em parcerias com o setor público."   Presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles: afirmou que a ex-primeira-dama Ruth Cardoso foi "um exemplo de integridade pessoal e moral cuja ações sócio-acadêmicas e públicas propiciaram melhor entendimento da realidade brasileira e destacaram-na como exemplo de cidadania." O comentário de Meirelles foi transmitido à imprensa, há pouco, por sua assessoria.   Ex-ministro de FHC Paulo Renato Souza:  Para Paulo Renato, o País perdeu uma cidadã de grande expressão social e política. "Sem desmerecer as demais esposas de presidentes que já passaram por este País (Ruth) foi ímpar, única. Fundadora da política social do país, combateu o clientelismo o paternalismo e estabeleceu uma prática de participação social com engajamento da sociedade civil, das empresas, com o governo na promoção social."   Aécio Neves (PSDB), governador de Minas Gerais: Ele disse que dona Ruth era iluminada e que ela tinha uma relação especial com o ex-presidente. "Conversavam sem precisar de palavras. Eram conversas regadas a um humor muito fino", contou.   Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores: Do Marrocos, ele enviou uma carta: "Estimado amigo, caro presidente: Soubemos com profunda tristeza da perda irreparável de nossa querida amiga Ruth. Em suas palavras e ações, Ruth devotou sua energia às causas mais justas e trabalhou continuamente pela elevação da dignidade do ser humano. Será sempre lembrada como uma grande mulher, que consagrou sua vida a um futuro melhor para o Brasil. Nesta hora de pesar e dor, queira aceitar nossa solidariedade e nossos sinceros sentimentos, extensivos a toda sua família.   (com Anne Warth, da Agência Estado, e Eduardo Kattah e Neri Vitor Eich de O Estado de S. Paulo, Agência Brasil e Reuters)

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