ECT afasta diretor indicado pelo PMDB

Partido nomeou praticamente todos os substitutos da diretoria da estatal, trocada após escândalo de 2005

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2004 | 00h00

Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público constataram que o esquema de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), desmantelado anteontem pela Operação Selo, está disseminado em diversas áreas da estatal e levantaram indícios do envolvimento de políticos no desvio de recursos. O escândalo fez ontem a primeira baixa na cúpula da estatal - alvo da investigação, o diretor de Operações, Carlos Roberto Santini Dias, foi afastado do cargo, junto com seu assessor, Alexandre Ribeiro, e um servidor de escalão intermediário, Sérgio Dias, preso na operação.Um policial que participou das investigações afirmou que há "uma raiz fisiológica" por trás das máfias. Toda a diretoria dos Correios, indicada pelo PTB e demais partidos da base aliada, foi substituída em 2005, após o escândalo causado pela divulgação de fita de vídeo em que o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT, Maurício Marinho, aparecia recebendo propina. O episódio desembocou no escândalo do mensalão.O PMDB indicou praticamente todos os substitutos dos demitidos. Os principais padrinhos dos novos dirigentes da estatal foram os peemedebistas José Sarney (AP), Hélio Costa (MG), Renan Calheiros (AL), Ney Suassuna (PB) e Romero Jucá. Um dos indicados do partido, Santini foi alvo de buscas e apreensões em suas residências em Brasília e no Rio, além do seu escritório, na sede da estatal. Por meio da assessoria, ele disse que não vai se manifestar, por enquanto. PREVENÇÃOO presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, também indicado pelo PMDB, disse que o afastamento dos três servidores é preventivo, para facilitar as investigações, mas acredita que, se houve irregularidade, foi em gestões anteriores. "Estou perplexo, mas tranqüilo, porque adotamos todas as providências para aperfeiçoar a gestão e punir os responsáveis por erros do passado. Espero que as acusações não procedam, mas se procederem vamos agir com rigor", prometeu.O servidor Luiz Carlos de Oliveira Garritano, também preso na operação, só não foi afastado porque não exerce cargo de confiança, mas será alvo de sindicância. A PF e o Ministério Público estão convencidos de que há diversas quadrilhas que continuaram ativas na ECT, mesmo depois da devassa de 2005. Elas teriam a colaboração de servidores de diversas áreas - há pelo menos dez ações abertas para apurar essa ligação."Os esquemas não pararam após o escândalo de 2005", frisou o procurador Bruno Acioli. Para ele, há na ECT uma briga de quadrilhas pelo controle dos milionários negócios da estatal.Segundo Acioli, o mais atuante operador do esquema é o empresário lobista Arthur Wascheck Neto. Preso na operação, Wascheck foi quem encomendou a filmagem de Marinho e, segundo as investigações, montou um pool de empresários para suceder a quadrilha anterior. "Ele é símbolo, subproduto da corrupção e da impunidade que imperam no País", afirmou. "Ele lesa, frauda, chantageia, corrompe há anos e nada lhe acontece", acrescentou.TABELA DA PROPINAAs investigações mostram que havia uma espécie de tabela da propina, paga de variadas formas, preferencialmente com dinheiro, mas também com empregos, passagens, mimos e vantagens diversas.Como qualquer organização, as máfias da ECT têm estruturas vertical e horizontal, que estão sendo dissecadas pelas autoridades. Só nesta fase, foram levantadas 20 empresas envolvidas com o esquema.

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