FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Gustavo Franco diz que privatização da Petrobrás é 'processo inevitável'

Economista da campanha de João Amoêdo defendeu o modelo de divisão das atividades da companhia, criação de várias empresas

Caio Rinaldi e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 11h32

O ex-presidente do Banco Central  Gustavo Franco, hoje principal assessor econômico do Partido Novo, do candidato à Presidência João Amôedo nas eleições 2018, disse que a privatização da Petrobrás é um processo inevitável, dado o "ataque monstruoso" que a empresa sofreu nos últimos anos, em referência às descobertas da Operação Lava Jato sobre desvios de recursos da estatal.

"Queremos que as empresas funcionem bem. A Petrobrás sofreu um ataque monstruoso e será necessário vender algumas empresas na periferia de suas atividades para resolver as dificuldades fiscais", comentou o economista de Amoêdo. Ele avalia que, entre as empresas estatais, o modelo da Petrobrás é o mais difícil. "Precisa ser resolvido com a melhor técnica possível para melhor atender aos interesses dos acionistas e da sociedade brasileira", afirmou em sabatina promovida pelo Estado e FGV/Ibre

Um modelo que poderia ser ajustado e replicado ao processo de privatização da petroleira, disse o economista, seria o adotado na privatização do sistema Telebras. "Vamos dividir as atividades para criar tensão competitiva ao longo do processo", explicou. "Após dividida em várias empresas, conforme estudos e análises, é provável que várias partes sejam privatizadas e outras não", disse Gustavo Franco. 

Banco do Brasil

Ele também falou sobre a privatização do Banco do Brasil e criticou o modelo atual do FGTS e do FAT, que considerou obsoletos. "A previdência pública e privada, o FGTS e o FAT deveriam ser os principais atores no mercado de capitais no Brasil, como é no mundo", disse Franco, que defendeu que esses recursos sejam aplicados em ativos como ações, por exemplo, que variam conforme a variação do mercado financeiro. "Também temos o FAT, que poderia ter os recursos melhor aplicados. São mecanismos obsoletos, criados na ditadura militar."

Para o economista, uma reorganização da Previdência para um sistema de capitalização seria mais justa para os brasileiros. Franco disse ainda que não há necessidade de o Brasil ter dois bancos estatais. "O BB está pronto para ser privatizado", afirmou. 

A sabatina de Gustavo Franco foi o terceiro de oito encontros que o Estado e o Instituto Brasileiro de Economia da FGV promovem com os profissionais responsáveis pela elaboração dos programas econômicos de governo dos principais candidatos à Presidência nas eleições 2018. Além de Franco, estão confirmadas sabatinas com os economistas dos presidenciáveis Lula/Haddad (PT), Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL).

A do PSOL e da Rede já ocorreram, com Marco Antonio Rocha, coordenador do programa econômico de Guilherme Boulos, e André Lara Rezende, assessor econômico de Marina Silva.  Os fóruns são abertos ao público e têm entrada gratuita mediante inscrição pela internet, no site da FGV (fgv.br). As vagas são limitadas. O público presente também participa do evento mediado por jornalistas do Estado com perguntas aos economistas.

Assista abaixo a sabatina completa com Gustavo Franco:

Veja o calendário da série "Estadão-FGV IBRE: Os economistas das eleições"  

07/08 - Marco Antonio Rocha (campanha de Guilherme Boulos)

10/08 - André Lara Resende (campanha de Marina)

16/08 - Gustavo Franco (campanha de Amoêdo)

23/08 - Márcio Pochmann (campanha de Lula/Haddad)

11/09 - José Márcio Camargo (campanha de Meirelles)

18/09 - Mauro Benevides (campanha de Ciro)

21/09 - Pérsio Arida (campanha de Alckmin)

03/10 - Paulo Guedes (campanha de Bolsonaro)

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