Economista critica diretrizes do novo programa tucano

Ligada à gestão do governador Marconi Perillo (GO), Ana Carla Abrão Costa classifica documento como 'genérico' que precisa ir 'muito além'

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2017 | 10h51

A economista Ana Carla Abrão Costa, ex-secretária da Fazenda do Governo de Goiás na gestão do atual governador Marconi Perillo (PSDB) e presidente do Conselho de Gestão Fiscal do município de São Paulo, criticou as novas diretrizes apresentadas na terça-feira, 28, pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV).

O documento, que será a base para reformular o programa partidário visando às eleições de 2018, defende de forma genérica um “choque de capitalismo”, ao mesmo tempo que prega que o Estado deve ser “indutor do desenvolvimento”.

Para a economista, o PSDB está “perdido” e as diretrizes não atende as discussões atuais que o partido deve ter: “É uma bonita carta de intenções, precisa ir muito além.”

O que você achou do programa?

Acho que está bem genérico, falou, falou e não falou nada. Acho que o PSDB continua com crise de identidade. Do ponto de vista geral, ok, as linhas são positivas, mas é muito genérico. Modernizar máquina pública, concursos, enfim, o que que isso significa? Precisa ir muito além pra ter uma peça que a gente possa de fato analisar e debater em profundidade.

Tem muita gente dentro do partido reclamando que não foi ouvido para a construção do programa.

Mais uma vez o PSDB está bem perdido. O que me chama atenção eu diria dois pontos: defender reforma da Previdência quando o partido não consegue sequer fechar questão em torno da Previdência. Segundo, são generalidades. Para mim, me parece muito mais um discurso do que um programa. Tem que ver o que isso significa do ponto de vista de ação: o que de fato o partido dá se propondo como plataforma, isso não está claro pra mim. É uma bonita carta de intenções, precisa ir muito além.

O que é o “choque de capitalismo”, citando Mario Covas, que propuseram?

Acho que o PSDB tem que parar de olhar para trás. Isso para mim é surpreendente, o PSDB não superou o fato de que ele precisa fazer mais do que o Plano Real. Plano Real foi uma grande conquista, nós somos todos gratos, mas a gente precisa olhar para frente. O partido continua olhando no retrovisor, ele tem que propor coisas para frente e não ficar tentando resgatar memórias do passado. Eu acho que pra isso precisa se aprofundar em ações concretas. O que que é choque de capitalismo? Eu não sei.

Eles não detalham, mas defendem no programa as privatizações.

Privatização, ok. Mas privatizar o quê? O Banco do Brasil, a Petrobrás, ou empresas de saneamento? “Se justificar” em que sentido, da soberania nacional ou empresas rentáveis, setores específicos? Está genérico, porque o partido não conseguiu consenso nas questões. Eu acho que mais é um bonito discurso, mas precisa ser traduzido em ações concretas, que a gente possa olhar e ver: é essa a direção que o partido se propõe.

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