Economia pode fazer aprovação de Lula cair mais, diz Miro

O deputado federal Miro Teixeira, que ingressou hoje no PPS durante o XIV Congresso Nacional do partido, disse que há espaço para a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cair mais do que já foi apontado hoje na divulgação da pesquisa CNI/Ibope. Segundo ele,a queda de popularidade "não é desejável, não é boa, é ruim" e é causada pelo momento difícil vivido na economia brasileira. "Se tivesse que dar sugestão ao governo, proporia mais enfrentamento em algumas situações", afirmou.Questionado se estava defendendo um enfrentamento com o mercado financeiro, Miro respondeu que o termo mercado era muito abrangente e pessoalmente ele era favorável ao mercado, mas ponderou que o Brasil se tornou refém dos investimentos de curto prazo, que frequentam países com percepção de risco equivalente à brasileira, e portanto impedem reduções maiores nos juros."Esta é uma reflexão que precisa ser feita", disse, ao comentar ainda que o presidente Lula está insatisfeito com essa dependência do País para o capital de curto prazo. O parlamentar defendeu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e demais quadros da instituição, afirmando que "a estrutura do BC é altamente qualificada". "Tudo é feito com conhecimento e segurança", reforçou. Miro Teixeira qualificou como "generalidades" as sugestões de mudança de política econômica apresentadas essa semana pelo PMDB. "O governo adota o caminho seguro, mas existem outros caminhos que não se sabe se são seguros. Como é que se faz? Pode ser que alguém apareça amanhã com outra solução não ortodoxa e que seja segura mas, por enquanto, ninguém conhece", disse. Ainda ao comentar a queda de popularidade do governo, Miro admitiu que o indicador sofreu influência da crise provocada pelo episódio Waldomiro Diniz e que carrega também problemas acumulados por anos anteriores. "A eleição de Lula criou uma expectativa grande de curto prazo, de que todos os problemas seriam resolvidos da noite para o dia. O governo sabia que isso ia acontecer", comentou. Miro disse que deixou a liderança do governo na Câmara de Deputados porque queria ter mais liberdade para expressar-se em defesa do presidente Lula. "Liderança de governo é um exercício de degustação de sapos permanentemente", afirmou. De acordo com ele, por trabalhar como líder do governo, tinha limitações para "dizer algumas coisas". Um exemplo dessa limitação, segundo ele, aconteceu recentemente com a manifestação de um colega de base aliada que, "falando sério", disse sentir saudades da atuação do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz. Como líder do governo, Miro explicou que não pôde dizer o que queria ao colega. "Mas ele (parlamentar) será chamado a repetir isso publicamente, no microfone do plenário. Se eu não fosse líder, teria feito isso naquele momento", justificou. Outro motivo que o levou a deixar a liderança, conforme relatou, foi o trabalho de expansão da base do PPS que pretende promover no Rio de Janeiro. Para ele, sua atuação criaria problemas para o governo.

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