Economia interrompe debates do Congresso

A semana no Congresso está terminando em clima de relativa distensão política, apesar do nervosismo dos últimos dias em razão da mobilização em torno da tentativa dos partidos oposicionistas de instalar uma CPI da Corrupção. O encontro desta manhã entre o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, no Palácio do Itamaraty, marca o deslocamento progressivo do foco da discussão política para a econômica.O movimento - que começou com a decisão sobre o ressarcimento das perdas causadas nas contas do FGTS pelos planos econômico Collor e Verão, passou pela elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual e prossegue na semana que vem com a discussão do projeto de lei que altera a Lei das Sociedades por Ações (Lei das S/A) - ficou evidenciado ontem no encontro da elite empresarial brasileira com o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), para discutir a retomada da campanha pela reforma tributária.De maneira simbólica, os empresários fizeram o que o ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), vem tentando impedir com sua campanha de denúncias: legitimaram Jader como chefe do Poder Legislativo, delegando-lhe a função de condutor do processo de desoneração da produção e das exportações.Retomada - O retorno da reforma tributária à agenda do Congresso e a retomada de votações importantes para o governo - como a conversão em lei de sete medidas provisórias na última quarta-feira - revelam um esforço, inclusive da oposição, para tentar tirar o Legislativo da inércia. "Aprovamos medidas provisórias que não passariam pelo plenário em condições normais", reconheceu na noite de anteontem o presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle do Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB).Os líderes dos partidos da coalizão governista sustentam que a situação está sob controle, mas é cedo para afirmar que a hipótese de instalação de uma CPI da Corrupção esteja descartada, porque ainda existem muitos fios desencapados no condomínio do governo. "Estamos fazendo um esforço para mostrar às bancadas que o clima de CPI não contaminou a opinião pública", relata o líder do Bloco PSDB/PTB na Câmara, Juthay Júnior (PSDB-BA), observando que até agora os deputados não estão sofrendo pressão popular para assinar o requerimento da CPI.Em razão disso, os líderes da oposição estão procurando mudar o foco de sua campanha. A partir desse final de semana, eles tentarão organizar atos públicos nos Estados com ajuda de sindicatos e entidades da sociedade civil. Se fracassarem, a proposta de criação da CPI dificilmente sairá do papel.

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