Raimundo Paccó/ Frame
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'É uma loucura o que estão fazendo', diz governador tucano sobre CPMF

'Isso passa para a sociedade que há uma corrida do cada um por si e Deus por ninguém', afirmou Simão Jatene em entrevista ao 'Estado'

Entrevista com

Simão Jatene (PSDB-PA), governador do Pará

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2015 | 19h05

São Paulo - O governador Pará, Simão Jatene (PSDB-PA) reagiu nesta terça-feira, 15, à estratégia do Palácio do Planalto de aumentar a alíquota da CPMF de 0,20% para 0,38%. A ideia é repassar 0,18% do imposto para Estados e municípios e, com isso, conquistar o apoio dos governadores. "Isso passa para a sociedade que há uma corrida do cada um por si e Deus por ninguém", disse o tucano ao Estado.

       

1 - A presidente Dilma Rousseff quer que os governadores pressionem as bancadas dos seus estados no Congresso para aprovar a recriação da CPMF. O que o senhor acha disso?   

Simão Jatene - Continuam cometendo equívocos que acabam agravando mais do que ajudando. Estamos metidos em um grande imbróglio. Não dá para essa discussão ficar restrita a isso. É um negócio meio errático. Não ajuda nada, apenas tensiona mais a sociedade. O debate não pode ser feito desse jeito. Não há uma discussão mais sólida. Não podemos discutir saída da crise sem discutir qual o Brasil queremos no dia seguinte. Fica parecendo uma corrida ensandecida por receitas. Nenhuma pessoa de bom senso aceita.       

2 - O Palácio do Planalto elaborou uma estratégia que prevê o aumento da alíquota da CPMF de 0,20% para 0,38%, sendo que 0.18% ficaram com Estados e municípios. Essa mudança pode levar os governadores a apoiarem a proposta? 

Simão Jatene - Isso não muda nada. É um equívoco. Recurso todo mundo está querendo. Isso não nos leva a lugar nenhum. Isso passa para a sociedade que há uma corrida do cada um por si e Deus por ninguém. Ficar discutindo se 0,18% ou 0,38%....francamente, não é disso que o País precisa.  É uma loucura o que estão fazendo. Quanto você quer para votar assim ou assado? Isso só deixa a sociedade mais inquieta.  

3 - O senhor teve reuniões em Brasília com lideranças do PSDB. Essa é a posição do partido?

Simão Jatene - Eu coloquei isso, esse absoluto oportunismo. Está todo mundo sem recurso. O PSDB, os governadores e as lideranças do partido estão discutindo nessa direção. Não é ser irresponsável, mas o debate precisa mudar de patamar.   

4 - O senhor defende o impeachment?  

Simão Jatene - Existem instituições que tem a missão de fazer esse debate. Elas tem papéis e missões distintas.   

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