Andre Dusek/Estadão
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'É um resgate da história do meu marido', diz viúva de Jango

Maria Thereza Goulart se emocionou durante a cerimônia de chegada dos restos mortais do ex-presidente a Brasília e contou por que não foram realizados os exames antes: 'ninguém foi capaz de fazer'

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

14 de novembro de 2013 | 15h10

Brasília - Bastante emocionada, a viúva do ex-presidente João Goulart, Maria Thereza Goulart, acompanhou a chegada dos restos mortais de Jango a Brasília, nesta quinta-feira,14. "É um resgate da memória do meu marido", desabafou, logo após a cerimônia oficial de recepção dos restos mortais, na Base Aérea de Brasília.

Ao lado de Maria Thereza estava a presidente Dilma Rousseff. Também acompanharam a cerimônia mais de 20 ministros. "A presença de todo mundo aqui foi muito importante, um momento que não vou esquecer mais na minha vida. Foi um momento muito bonito", disse a viúva.

Os restos mortais serão analisados para apurar se o ex-presidente morreu de causas naturais ou vítima de envenenamento. Jango foi exumado nesta quarta, em São Borja, interior gaúcho. Ele morreu na Argentina em 6 de dezembro de 1976. Quando faleceu, ele vivia em Mercedes, província de Corrientes, vizinha do Rio Grande do Sul.

Segundo Maria Thereza, o processo "demorou um pouco". "Mas nunca é tarde", advertiu. Questionada sobre os motivos que levaram a não realização de um exame detalhado do corpo de Jango na época de sua morte, a viúva explicou que "a gente estava muito longe, não teve esse momento de fazer uma autópsia. Acho que até poderiam ter feito, mas ninguém fez e ninguém foi capaz de fazer".

Questionada sobre qual expectativa tem sobre o processo, Maria Thereza respondeu: "Vai para fora do Brasil, os peritos é que sabem". É certo, porém, que há uma equipe de técnicos do País e de outros países, principalmente do Cone Sul, dedicados ao trabalho.

Conforme informou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, os exames toxicológicos, que vai analisar se houve envenenamento, serão feitos no exterior. Os laboratórios que receberão as amostras, contudo, são mantidos em sigilo para não comprometer as análises, já que cada laboratório receberá as mesmas amostras.

Maria Thereza não descartou, nesta quinta, que a Jango tenha morrido por causas naturais. "Essa hipótese também é viável, todas são consideradas. De qualquer maneira, é importante", disse a viúva. Ela destacou, porém, que a decisão de realizar neste momento a análise representa "coragem e de reconhecimento pelo presidente que ele foi".

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