''É um amigo ajudando outro''

Ele diz que não se surpreende com provável decisão do STF de rejeitar pedido para abrir processo contra Palocci

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

24 de agosto de 2009 | 00h00

Mais de três anos após a entrevista em que revelou ao Estado o que ocorria na mansão onde o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, se reunia com seus amigos de Ribeirão Preto, o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, afirma que não confia na Justiça brasileira. Por isso diz que não se surpreende com a provável decisão do Supremo Tribunal Federal de rejeitar o pedido para abrir processo contra Palocci pela violação da sua conta bancária. Nildo compara a situação à de "um amigo ajudando outro". O processo para ele ser indenizado pela quebra e a divulgação de seu sigilo bancário, está concluído. Mas ainda não foi marcada a data para divulgação da sentença.Como o sr. se sente sabendo que os ministros do STF devem rejeitar a denúncia contra o ex-ministro Antonio Palocci pela quebra do seu sigilo bancário?Se julgassem o ministro, eu ia acender uma vela e agradecer a Deus. Mas como vai dar em pizza, só tenho a lamentar. O sr. sente decepção? Eu já sabia. Hoje o Brasil está como está. Tem mais de um mês que está nessa novela, sai Sarney, não sai Sarney e fica nisso mesmo. Ainda mais mexendo com político. O Brasil está muito bagunçado.A que atribui essa decisão?É tudo a mesma coisa, foi uma coisa grave (a acusação), não foi leviana, mas o passado passou, já era, aí eles pegam e enterram, botam na gaveta. Para ele (Palocci), isso aí significa uma boa vitória, porque vai ser absolvido. Lá tem muitas amizades, são muitos amigos. Se eu tivesse um amigo e se meu amigo estivesse precisando de dinheiro e, se eu tivesse, eu iria emprestar a ele. É um amigo ajudando outro.Até agora nenhum dos envolvidos na quebra de seu sigilo teve de prestar contas à Justiça. E a sua situação, como está?Eu estou na pior. Os outros estão bem. O homem vai se candidatar e, pelo andar da carruagem, com certeza tem condições de se eleger. O sr. acredita que a Justiça no País vai melhorar? Para mim, hoje, ela está devendo, a não ser que aconteça algum milagre e o vento volte a soprar por outro lado, aí eu queimo a minha língua, como se diz, mas por enquanto está difícil. Faz três anos que isso aconteceu e não teve nenhuma audiência, quer dizer, teve uma, mas foi muito fraca. Na minha opinião, a Justiça hoje está do lado dos ricos. A pessoa que é pobre é muito desmoralizada, a chance do pobre é muito pouca, é só uma, a chance do pobre é morrer. Se os fatos se repetissem, voltaria a denunciar o que viu na casa onde trabalhava?Eu falaria novamente o que eu sei. Mas se me avisassem que iriam quebrar o meu sigilo, eu não teria falado, teria ficado na minha.

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