''É preciso uma agenda comum''

No fim de março, o Diretório do PT em Belo Horizonte deverá tomar uma decisão inédita: aprovar aliança com o PSDB para apoiar o candidato de um terceiro partido à prefeitura da capital mineira, Márcio Lacerda (PSB). A aliança foi pacientemente tecida pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT). Em entrevista à TV Estadão, Pimentel disse ter garantias de que a decisão não será contestada pelo Diretório Nacional.Como tem repetido como um mantra, Pimentel cobrou que PT e PSDB tenham uma agenda comum para o Brasil: "Vai dar muito mais governabilidade para qualquer presidente que chegue lá." E derramou elogios sobre a figura de Aécio.Pimentel admitiu que será um desafio para o PT enfrentar, em 2010, a primeira eleição nacional desde a redemocratização sem sua maior estrela. Para ele, o presidente Lula terá uma taxa de transferência de voto muito elevada, mas nada garante que elegerá o sucessor. Eis os principais pontos da entrevista:ALIANÇA PT-PSDB"A aliança pode ser feita em outros lugares, mas em Minas as condições estavam já maduras. Após seis anos de convivência, o governador e eu desenvolvemos uma relação administrativa muito boa. Criamos uma afinidade pessoal e identidades políticas. Em São Paulo, esse desenho não é possível, mas nacionalmente esse encontro pode propiciar uma reflexão, uma mudança do clima político de permanente antagonismo político entre PT e PSDB. Não precisa ser sempre assim." O QUE FALTA PARA A UNIÃO"Preciso esperar que meu partido decida. Pelo que recolho nas conversas internas, vamos ter amplo apoio da militância partidária e a convenção municipal vai consagrar a tese do candidato de união. Isso será respaldado por um apoio muito efetivo da população de BH. Nossas administrações são muito bem avaliadas na cidade e a população não quer que mude isso."GOVERNADOR EM 2010"A candidatura a governador não é postulação pessoal. Se eu vou ter ou não o apoio do governador Aécio, esta é uma pergunta que só ele pode responder."APOIO A AÉCIO EM 2010"Se o PT tiver um candidato, eu terei de apoiar e apoiarei o candidato do PT. Não obstante, devo dizer que Aécio é um homem público muito qualificado para a Presidência. Se o Brasil o elegesse, estaria elegendo um excelente presidente. Não é pelo fato de ser de outro partido que eu deveria cometer a hipocrisia de inventar defeitos onde não há."EMBRIÃO PARA 2010?"O presidente Lula publicamente já falou nisso mais de uma vez. Ele menciona Aécio como uma pessoa que poderia ser o candidato do nosso campo, desde que fora do PSDB. O governador não trabalha com essa hipótese. Então, o desejo do presidente de tê-lo como seu potencial candidato é legítimo, mas muito pouco viável." ELEIÇÃO SEM LULA"Esta é uma grande questão, que não está posta só para o PT. Estimar a formação do voto não era difícil, porque era o Lula e o anti-Lula. A ausência do presidente na eleição coloca um quadro muito pouco previsível. O PT vai ter uma dificuldade muito grande para selecionar o candidato, vai depender muito da opinião do presidente, porque ele vai ser um grande eleitor em 2010 e o cenário político ficará muito aberto para outras candidaturas. Acho que o presidente vai ter uma taxa de transferência de voto muito elevada. Mas isso não é suficiente para que um candidato apoiado por ele ganhe as eleições." A OPOSIÇÃO A LULA"Acho que é uma questão de recíproca. Nós ficamos como prisioneiros do passado. O PT fez uma oposição muito crítica ao governo Fernando Henrique. Eu mesmo a fiz. Acho que não erramos no conteúdo, mas talvez tenhamos errado na dose e na forma. Aí a reação do PSDB."AGENDA COMUM"Sou otimista. No médio prazo, precisamos construir uma agenda que de alguma forma perfilhe PT e PSDB. Não precisam estar juntos, fundir, podem ter disputas, mas devem ter uma agenda comum para os grandes temas nacionais. Até porque, em muitas coisas, pensam parecido. Vai dar muito mais governabilidade para qualquer presidente que chegue lá."

Entrevista com

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