Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

'É preciso ter cuidado' com delação premiada, diz Alckmin

Ex-presidente da Odebrecht apontou pagamentos ilícitos para campanhas eleitorais em 2014 de governador de SP e deputado tucano

Adriana Ferraz, Daniel Weterman e Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 16h07

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira, 25, que não tem procedência a vinculação de uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a supostos pagamentos ilícitos para as campanhas eleitorais em 2014 do PSDB, conforme delatou o ex-presidente da Odebrecht Benedicto Júnior no acordo de colaboração premiada com a Operação Lava Jato.

Em resposta à delação, Alckmin disse que a obra citada na delação foi licitada em 2006, teve o contrato assinado em 2007 e se encerrou em 2010. "Essa informação não tem nenhuma procedência. O contrato acabou faz sete anos", disse o tucano, em entrevista coletiva após o leilão de concessão da "Rodovias dos Calçados".

O governador falou ainda que "é preciso ter cuidado" com uma delação premiada e que a denúncia envolvendo a Sabesp pode não ter relação entre o contrato e eventuais doações para campanhas. "É preciso ter cuidado com delação, tem muita coisa que não tem nada, nem relação de uma coisa com a outra", falou.

Conforme o Estado publicou nesta terça-feira, planilhas entregues aos investigadores da Lava Jato por Benedicto Júnior vinculam uma obra Sabesp a pagamentos ilícitos para as campanhas eleitorais em 2014 do governador Geraldo Alckmin e do deputado federal João Paulo Papa, ambos do PSDB. Esta é a primeira vez que a estatal paulista que trata água e esgoto é citada no esquema de corrupção.

É a segunda vez que o governador aparece em delação premiada da Odebrecht. Três delatores afirmaram à PGR que Alckmin usou o cunhado para pegar R$ 10,7 milhões do setor de propinas da empreiteira. As informações constam de manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.