É preciso que os países ricos controlem seus bancos, diz Lula

'Não é hora de tagarelar. É hora de fazer', cobra presidente na véspera do encontro com Obama na Casa Branca

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2009 | 13h15

O presidente Luiz Inácio Lula disse nesta sexta-feira, 13, que "é preciso que os países ricos tomem conta de seus bancos". Para Lula, só com a regulação forte dos bancos haverá garantias de que o setor financeiro estará vinculado ao setor produtivo e avisou: "não é hora de tagarelar. É hora de fazer. Não é hora mais de decisão técnica. É hora de decisão política. Ou nós assumimos as responsabilidades por esta crise e damos uma saída, ou vamos ficar como o Japão que levou 10 anos na década de 90 para sair da crise. Não podemos esperar 10 anos".

 

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Lula faz a cobrança na véspera do encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca. O presidente disse ainda que falará com o americano sobre o restabelecimento do crédito internacional. Lula afirmou também estar otimista de que os Estados Unidos sairão logo da crise, assim como está otimista com a reunião do G-20, grupo formado por países desenvolvidos e emergentes. Mas, avisou: "essa crise tem que acabar este ano, portanto, tem coisa que precisa se fazer urgentemente".

 

Lula voltou a pedir a retomada da Rodada Doha e a criticar o protecionismo dos países ricos, lembrando que o "protecionismo pode ajudar momentaneamente, mas, a médio prazo, é um desastre". E acrescentou: "O Brasil é contra a volta do protecionismo e não é possível que, no primeiro calo que comece a doer, os países ricos achem que têm de trazer de volta o protecionismo".

 

O presidente lembrou que a crise financeira começou nos Estados Unidos, que mexeu em grande parte dos países do mundo e que, "se esses países de economia rica não estiverem bem, o resto do mundo também não estará bem". "Precisamos torcer muito para que os Estados Unidos voltem ao normal", completou. A entrevista foi concedida após a cerimônia de assinatura de atos para aumentar a segurança dos torcedores nos estádios, no Palácio do Planalto.

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