Gustavo Lima/ Ag. Câmara
Gustavo Lima/ Ag. Câmara

'É preciso montar um novo modelo de base de sustentação parlamentar', diz líder do PMDB na Câmara

Após derrota do governo em tentativa de adiar votação de uma das 'pautas-bombas' no Congresso, Leonardo Picciani afirma que modelo da base 'se exauriu'

Rafael Moraes Moura e Lisandra Paraguassu , O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 13h57

BRASÍLIA - Um dia depois de o Palácio do Planalto ser derrotado na tentativa de adiar a votação da PEC 443, que reajusta salários de servidores da Advocacia-Geral da União (AGU), o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), disse nesta quarta-feira, 5, que o governo precisa montar um novo modelo de base de sustentação parlamentar. 

A PEC 443 - uma das "bombas fiscais" em tramitação no Congresso Nacional - foi discutida na manhã desta quinta em reunião do vice-presidente Michel Temer com líderes da base na Câmara e os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Luís Inácio Adams (AGU) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). Além do impacto financeiro da medida, preocupa o Planalto tratar da matéria num momento político delicado em que a AGU encabeça a defesa das "pedaladas fiscais".

O texto vincula o teto dos subsídios de advogados públicos, defensores públicos e delegados das Polícias Federal e Civil a 90,25% do que recebem os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As "bombas fiscais" também foram discutidas por Temer em uma reunião no Palácio do Jaburu mais cedo, com líderes da base no Senado.

"A derrota de ontem demonstra aquilo que vem sendo alertado pelos líderes da base. É preciso de fato montar a base. O modelo da base exercido até aqui, ele se exauriu. É preciso montar um novo modelo de base de sustentação parlamentar. O que já vem sendo dito pelo governo passa a dimensionar aquilo que já vem sendo dito pelos líderes do Congresso há algum tempo", comentou Picciani a jornalistas, ao deixar a reunião.

O peemedebista deixou o anexo I do Palácio do Planalto afirmando que na reunião do colégio de líderes seria discutida a possibilidade de a votação ser transferida para a próxima semana, o que daria tempo para a matéria "amadurecer de forma justa". 

"Eu, pessoalmente, considero justo que as carreiras jurídicas tenham isonomia, mas é preciso entender como isso impacta as finanças do País e da federação, sobretudo nesse momento de crise", ressaltou Picciani. "É uma matéria (que gera) grande dúvida com o impacto que pode trazer para Estados e municípios."

Organização. As críticas disparadas à articulação política do governo foram reforçadas pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). "Quatro horas (de reunião) para nada. O governo não se mexe. O governo não se organiza, tá mal politicamente", criticou Arantes, ao deixar a reunião.

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