Ascom Prefeitura Pacheco Maia
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'É preciso desmontar o palanque', diz ACM Neto sobre boicote a posse

'Eleição acabou', ressalta presidente do DEM, que deixou em aberto apoio do partido ao novo governo; políticos ressaltam 'coerência' em discurso de Bolsonaro

Clarissa Oliveira, Marianna Holanda, Renan Truffi e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 16h37

BRASÍLIA - O prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, criticou a ausência de representantes da oposição na posse do presidente Jair Bolsonaro. O mandatário lembrou que, embora fizesse oposição ao PT, participou da cerimônia que empossou a presidente Dilma Rousseff. “A eleição acabou. É preciso desmontar o palanque”, afirmou, ao deixar a solenidade que empossou Bolsonaro e  seu vice, general Hamilton Mourão, na Câmara dos Deputados.

ACM Neto fez elogios ao discurso de Bolsonaro, que, segundo ele, apontou para a necessidade de uma mudança no País e demonstrou a intenção de governar para todos. Ele disse contar com a “ajuda” do Congresso para fazer avançar a agenda.

Ele também disse que a eventual participação do partido na base do governo está vinculada a um apoio da sigla à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Casa.

“Uma coisa não está ligada à outra. Rodrigo não é um candidato do Democratas, é um candidato de diversos partidos da Câmara dos Deputados”, disse ACM Neto, que também é prefeito de Salvador.

Segundo contou, o DEM deve fazer uma reunião em fevereiro para deliberar se integra ou não a base do governo. A adesão não foi automática, a despeito de ser o partido ter o comando de três Pastas importantes na Esplanada: Casa Civil, com Onyx Lorenzoni (RS); Saúde, com Luiz Henrique Mandetta (MS); e Agricultura, com Tereza Cristina (MS).

“O partido provavelmente vai se reunir em fevereiro para deliberar uma posição formal. Mas, independente de qualquer coisa, a gente sabe que tem uma agenda do país que não pode esperar e que conta com o nosso apoio. Até lá a gente tem tempo para ver quais são as prioridades do governo e a partir daí estabelecer uma posição formal de ingresso na base”, afirmou o presidente do DEM.

Na avaliação dele, Bolsonaro tem sido “fiel à sua palavra”, de não se envolver na disputa e lembrou que quando isso aconteceu em outras eleições na Casa, com Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Severino Cavalcanti (PP-PE), não deu certo. Os dois deixaram a presidência após escândalos de corrupção - o primeiro foi cassado e preso, enquanto o segundo renunciou apenas.

A respeito do que chamou de “agenda do País”, ACM Neto ressaltou que tanto o partido quanto Maia consideram essenciais a agenda das reformas, que o próprio Bolsonaro tem defendido também. “Prioridade número um”. A reforma da Previdência, afirmou, tem que ser votada neste ano ainda.

Uma das críticas de deputados do PSL a Maia é que ele não encampa a chamada pauta conservadora (Escola Sem Partido, desarmamento, etc), como outros candidatos, como João Campos (PRB-GO) e Capitão Augusto (PR-SP). Para o presidente do DEM, essas questões não são de partido, mas têm que partir da “posição de cada parlamentar”.

Na próxima legislatura, o PSL será a segunda maior bancada, com 52 deputados federais. O DEM, de Maia, tem saiu de 42 parlamentares neste ano para 29 no ano que vem.

'Coerência'

Para políticos que acompanharam in loco a cerimônia de posse de Jair Bolsonaro no Congresso, o recém-empossado presidente da República fez um discurso coerente com o que ele apresentou em sua campanha.

"Ele focou muito em recuperar os empregos do nosso País e do que depender do nosso trabalho na Câmara vamos apoiar todas as medidas que tenham esse sentido", afirmou o líder do MDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM-GO), disse que o discurso não decepcionou, em um momento em que "a sociedade toda se mobilizou, foi pra rua e garantiu uma eleição acima de posições partidárias".

Caiado disse que Bolsonaro sabe que o Brasil precisa de reformas e que deverá ter o apoio do seu governo e da bancada de Goiás no Congresso.

"Me atrevo a dizer que até julho ele aprova a Reforma da Previdência. Hoje é um sentimento generalizado", disse.

Sobre o pacote de decretos que Bolsonaro já anunciou que deverá assinar, Caiado afirmou acreditar se tratar de medidas como corte de despesas  e cancelamento de licitações. "Revendo todos os gastos supérfluo do Estado", disse.

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