Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

'É possível viver sem ser governo', diz novo presidente do MDB

Sob o slogan 'Renovação Democrática', o encontro serviu de palanque para resgatar velhas lideranças políticas afastadas dos holofotes por derrotas nas urnas ou por investigações da Lava Jato

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 13h30

Correções: 06/10/2019 | 19h35

BRASÍLIA – Com a promessa de “renovação”, o MDB confirmou neste domingo, 6, o deputado federal Baleia Rossi (SP) como seu presidente, em convenção marcada pela presença de velhos caciques da legenda, como o ex-presidente José Sarney, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira e os ex-ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Em seu discurso, Rossi afirmou que é “possível viver sem ser governo” e que o MDB precisa de uma identidade. 

“Hoje precisamos escolher novas bandeiras. É preciso saber que é possível viver sem participar de governo, porque somos muito maiores do que isso”, afirmou Rossi, que sucede ao ex-senador Romero Jucá.

Sob o slogan “Renovação Democrática”, o encontro planejado para mostrar um “novo MDB” serviu também de palanque para resgatar velhas lideranças políticas afastadas dos holofotes por derrotas nas urnas ou por investigações como a Operação Lava Jato.

“A unidade do partido é fundamental para a gente poder mudar, reconectar o nosso partido com os anseios da sociedade e dar voz à nossa militância. Respeitando a nossa história, mas também sabendo que o partido tem que olhar para frente”, afirmou Baleia Rossi, que tem 47 anos e se tornou o mais jovem presidente do MDB.

Os salões do Centro de Convenções do Meliá 21, na região central de Brasília, estavam repletos de imagens do ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães (1916-1992), fundador e um dos políticos históricos da legenda. Ao microfone, os emedebistas enalteciam o governo do ex-presidente Michel Temer, que não compareceu.

Sem Temer, a grande estrela do velho MDB foi outro ex-presidente: José Sarney. Aos 89 anos, o também ex-senador teve dificuldade de circular por causa da tietagem de filiados. A todo momento, era parado para fotos. “Falam do velho Sarney. Não me sinto velho, não. Sou jovem, como disse o Jucá”, afirmou o ex-presidente.

Nem todos os filiados, no entanto, estavam satisfeitos com a presença dos caciques. “Não me sinto à vontade em uma convenção como essa. Vão sair fotos daqui que terei vergonha”, afirmou Edson Brum, deputado estadual no Rio Grande do Sul.

 A “nova política” e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foram alvo de críticas. “Qual é a nova política? Qual é a que ele (Bolsonaro) pratica? Política é a política. É a boa política e a má política. Fazer política é tomar decisões para afetar a vida das pessoas. Quem faz bem afeta positivamente, quem faz mal destrói a vida das pessoas”, afirmou Jucá. Sem conseguir a reeleição, o ex-senador vai assumir uma cadeira de “vogal” na Executiva do partido – quando o membro tem direito a voto, mas não ocupa um cargo específico.

O ex-ministro Moreira Franco afirmou que é necessário ter “humildade” para reconhecer a necessidade de mudanças internas. “Os resultados das últimas eleições para nós, do MDB, foram terríveis. Temos que incorporar, entender, mudar para, nas eleições municipais (do ano que vem), termos a mesma recepção que o partido teve no passado”, afirmou. A bancada de deputados federais do partido encolheu de 66 eleitos em 2014 para 34 em 2018. 

Maia

O MDB faz um movimento de bastidores para, em dobradinha com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), construir uma estratégia conjunta para as principais disputas municipais de 2020 e uma candidatura única à sucessão de Bolsonaro, em 2022

Presente à convenção, Maia defendeu os quadros históricos do MDB. “Nós temos muitas realizações juntos e não devemos ter vergonha do que fizemos. Temos que valorizar e mostrar à sociedade que temos experiência para fazê-las. Porque falar com boas narrativas, isso é fácil. O difícil é ter bons quadros como o MDB”, disse.

Correções
06/10/2019 | 19h35

Diferentemente do informado inicialmente no texto, o ex-ministro que participou da convenção do MDB foi Eliseu Padilha, e não Alexandre Padilha, que é deputado pelo PT. O texto foi corrigido no mesmo dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.