É o Brasil que quer esclarecimentos, disse FHC ao rebater ministro da Justiça

Durante coletiva sobre a Operação Lava Jato, José Eduardo Cardozo acusou a oposição de explorar as denúncias politicamente

Valmar Hupsel, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 15h27

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais nomes do PSDB, refutou na manhã deste sábado, 15, as afirmações feitas momentos antes pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que a oposição estava explorando politicamente as denúncias de desvios de recursos na Petrobrás. "Ninguém está explorando eleitoralmente, que eu saiba. O Brasil está estarrecido com a profundidade do que aconteceu. É muito dinheiro. É muita gente envolvida", disse FHC após participar de evento promovido pela revista Piauí em um colégio no bairro dos Jardins, na capital Paulista.

"A oposição sabe que perdeu. Reconheceu. Não há ninguém responsável na oposição que tenha outra opinião. Somos a favor da regra do jogo", disse ele ao comentar a afirmação de Cardoso de que a exploração do caso Petrobrás era uma tentativa de terceiro turno das eleições. "Acho que é ruim ficar dizendo isso porque dá a impressão de que é a oposição que quer usar as investigações. É o Brasil que quer esclarecimentos sobre as investigações. Não é a oposição. A oposição quer a verdade e a punição se for comprovada."

FHC lembrou que por enquanto as acusações presentes na Operação Lava Jato envolvem a partidos "mas a partidos do governo". "Então, quem está no governo tem que entender: olha, cuidado hein? São do seu partido que estão envolvidos nisso. Não basta ficar na posição de juiz. Tem que ir mais longe."

O ex-presidente defendeu o afastamento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, citado nas investigações como destinatário de recursos desviados de contratos da estatal. "Não estou dizendo que tenha feito ainda porque não tem provas, mas basta ter uma acusação grave que deve se dizer: você se afasta e prove sua inocência. Enquanto ele está no cargo da a impressão de que o governo não está se importando muito com o que está acontecendo", disse. "Tem que cortar o que está errado no seu governo, no seu partido. E por enquanto não estou vendo isso."

FHC disse não crer num envolvimento direto da presidente Dilma nos desvios apontados pela Polícia Federal na Petrobrás. "O que apareceu até agora a responsabilidade dela é política, não é criminal. Eu espero que não tenha nenhum envolvimento direto dela", disse.

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