´É muito provável´ que PMDB ganhe quatro pastas, diz Temer

O presidente reeleito do PMDB, deputado Michel Temer (SP), disse nesta segunda-feira, 12, que "é muito provável" que seu partido seja contemplado com quatro ministérios no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Eu creio que o presidente da República vai levar em conta, como leva sempre, o tamanho das bancadas, a potencialidade política de cada partido", disse Temer, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo. "Mas evidentemente a decisão é do presidente, com quem devemos conversar nesta semana".Temer admitiu que o PMDB deverá ocupar quatro pastas, sem contar com a da Saúde, que provavelmente será assumida pelo médico sanitarista José Gomes Temporão, indicado por Lula. "Eu não conheço pessoalmente o médico Temporão, que dizem ser de uma categoria profissional extraordinária, competência estupenda", disse Temer.Convenção nacionalDurante a entrevista, Temer não reconheceu que tenha havido um boicote à convenção nacional do partido, que o reelegeu presidente da legenda no domingo, 11. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP) tinham prometido boicotar o encontro, depois que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim desistiu da disputa pela presidência. "Não houve boicote", disse Temer. "Mesmo a notícia de que 13 Estados não compareceram não reproduz a verdade. Embora poucos presentes desses Estados, todos compareceram, sem exceção. Se houve boicote, fracassou". O presidente do PMDB acrescentou que Renan e Sarney são "líderes conceituados", que não se dedicariam a boicotar a convenção.De acordo com Temer, o senador e o presidente do Senado devem continuar como interlocutores da legenda. "Não há essa coisa da exclusividade da interlocução, nem eu quero", disse o deputado peemedebista. "Eu almejo que eles também continuem a interlocutar, como certamente continuarão."Governo de coalizãoTemer falou ainda sobre a tentativa do governo de retirá-lo da disputa pela presidência do PMDB, oferecendo-lhe o Ministério da Previdência. "É muito honroso você ser convidado a ministro, mas eu fui o autor dessa coalizão governamental", afirmou o deputado. "Ficaria muito mal perante a bancada da Câmara, do Senado e perante o partido."Segundo o presidente reeleito do PMDB, o que o atraiu para a base governista foi a pauta programática do segundo mandato do governo. "O presidente nos ofereceu sete pontos determinados", disse Temer. "Um deles é a questão do desenvolvimento econômico e outro, a criação do conselho político."Ele afirmou também que a presença do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), neste domingo, na convenção do PMDB, revelou o bom funcionamento da coalizão política. De acordo com o deputado, a presença do petista serviu para mostrar que os partidos que estão nesse mesmo programa têm uma ação conjunta.Por fim, Temer voltou a afirmar que, se for mantida a coalizão governamental, ela poderá se converter em aliança eleitoral em 2010. "E, naturalmente, transformando-se em aliança eleitoral, o PMDB, como maior partido, reivindicará, como está reivindicando desde já, a cabeça da chapa."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.