'É melhor ser amigo da rainha que ser o próprio rei', diz Lula

Presidente criticou o governo de São Paulo e sinalizou que poderá pedir 'favores' a Dilma caso a petista se eleja

Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo,

10 de setembro de 2010 | 20h04

Em dois eventos oficiais dos quais participou nesta sexta-feira, 10, em São Bernardo do Campo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o governo de São Paulo por evitar parcerias com a União por razões políticas e, sem citar o nome de Dilma Rousseff (PT), sinalizou que poderá pedir "favores" a ela caso a petista se eleja Presidente da República.

 

"Afinal de contas, dizem que, às vezes, é melhor ser amigo do rei ou da rainha do que ser o próprio rei ou a própria rainha", disse Lula, ao enfatizar mais de uma vez que deixará a Presidência da República no dia 1º de janeiro de 2011. Lula participou da cerimônia de entrega de 224 apartamentos num conjunto habitacional de São Bernardo, um investimento de R$ 12, 9 milhões. O projeto de urbanização da área totaliza investimentos de R$ 51,48 milhões do governo federal em parceria com a prefeitura.

 

"Vou voltar para a minha São Bernardo do Campo, vou voltar a morar aqui, pertinho do sindicato. Obviamente, se eu for amigo de uma pessoa que possa ter um cargo mais importante e eu precisar pedir uma coisinha para São Bernardo eu não terei vergonha nenhuma de pedir, para São Bernardo ou alguma outra cidade", afirmou o presidente, entre elogios à gestão do prefeito Luiz Marinho.

 

Lula criticou o antecessor de Marinho, William Dib, que era aliado do PSDB. "Por conta de eu ser de um partido diferente do dele, se dava ao luxo de não fazer nenhuma parceria com o governo federal." Lula afirmou que esse tipo de postura de adversários políticos é "absurda" e "ignorância". "Não quero trabalhar com o Lula porque ele é de outro partido e eu sou puxa-saco do governo de São Paulo e eu não posso estar junto com o Lula. Essas atitudes é que tem feito o povo amargar sofrimentos durante décadas", criticou o presidente. E emendou, dizendo que algumas pessoas "se apequenam quando fazem política".

 

UPA. Mais cedo, ao inaugurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade, também ao lado de Marinho e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o presidente também fez críticas ao Estado de São Paulo e a falta de entrosamento com a União em projetos. "Só não tem UPA em São Paulo porque parece que eles não querem", disse. Em seguida, Lula criticou a falta de investimentos do Estado no SAMU. "Fui a Tatuí receber a primeira ambulância do SAMU e lá estava o ex-governador de São Paulo (José Serra), que fez até discurso. E fez discurso como se colocasse muito dinheiro. Isso é porque eu sou um democrata e deixo eles falarem. Como é que vem inaugurar uma coisa que não põem nenhum centavo?", atacou o presidente.

 

Em nota, o governo do Estado de São Paulo informou que a parceria feita com o Ministério da Saúde em relação ao SAMU tem como contrapartida que o Estado daria "atendimento dos casos de urgência encaminhados pelas ambulâncias aos hospitais estaduais". "O atendimento na maioria desses hospitais estaduais é custeado com recursos próprios do tesouro estadual. Além disso, na capital há o serviço estadual Grau (Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências), uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Corpo de Bombeiros", diz a nota.

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