E-mails indicam que Rose tratou com Lula das nomeações dos irmãos Vieira

Relatório da Polícia Federal mostra mensagens da ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo contando aos irmãos Paulo e Rubens que iria consultar o "PR", modo como ela se referia ao ex-presidente, sobre indicações para agências

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2012 | 00h30

SÃO PAULO - A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, negou na última quinta-feira, 29, ter cometido tráfico de influência ou qualquer outro ato de corrupção enquanto ocupou o cargo. Em nota distribuída por seu advogado, Luiz José Bueno de Aguiar, ela diz que está interessada em provar sua inocência em relação às denúncias da operação Porto Seguro, da Polícia Federal, e que pretende prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades.

"Do dia para a noite, tive minha vida devassada e apontada como pivô de um esquema criminoso que atrai a atenção de toda a mídia", diz a ex-chefe em sua nota. "Sou, portanto, a pessoa mais interessada em provar que não tive qualquer participação em supostas fraudes em pareces técnicos ou corrupção de servidores públicos para favorecimento a empresas privadas."

Indiciada pela PF, ela também afirma que, enquanto trabalhou para o PT ou para a Presidência, "nunca fiz nada ilegal, imoral ou irregular que tenha favorecido o ex-ministro José Dirceu ou o ex-presidente Lula em função do cargo que desempenhavam". E mais: "Nunca soube também de qualquer relação pessoal ou profissional deles com os irmãos Paulo e Rubens Vieira."

Sobre as viagens que fez ao exterior, em comitivas da Presidência, diz: "Quero dizer que todas as viagens que fiz ao exterior foram por solicitação do cerimonial da PR, em decorrência de meu cargo e função e, para isso, fiz curso no Itamaraty, não havendo, portanto, nada de irregular ou estranho neste fato."

Amizade. Sobre as relações com os irmãos Vieira, afirma: "Há mais de 10 anos, tenho com o senhor Paulo Vieira uma forte relação de amizade, hoje abalada por detalhes da operação da Polícia Federal."

Ao final da nota, ela manifesta confiança: "Mesmo perplexa com o caso, tenho absoluta certeza de minha inocência. Não cometi tráfico de influência nem qualquer ato de corrupção, como em breve ficará provado."

A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que ele não vai comentar os e-mails da ex-chefe de Gabinete. De acordo com a assessoria, o ex-presidente é citado nos e-mails de uma terceira pessoa, de maneira passiva, e, portanto, não tem declarações a fazer.

A assessoria também enfatizou que a Procuradoria-Geral da República, ao tratar das investigações relacionadas à Operação Porto Seguro, já declarou que não existe nada relacionado ao ex-presidente.

Advogados. Procurado pelo Estado, para comentar os e-mails de Rosemary, com citações dos nomes dos irmãos Paulo e Rubens Vieira, o advogado Fauzi Achôa, que representa Rubens Vieira, não foi localizado. O advogado Pierpaolo Bottini, contratado por Paulo, não pôde manifestar-se, por causa de problemas pessoais. Ele disse que pretende, porém, comentar o assunto.

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