Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'É incrível como nossa elite é passiva, ela adora reclamar', diz Huck em Harvard

Apresentador que ensaiou candidatura em 2018 criticou gestão Bolsonaro na educação e fez críticas aos que defendem maior armamento da população

Beatriz Bulla, Enviada a Cambridge

05 de abril de 2019 | 14h06

O apresentador e empresário Luciano Huck fez críticas à "elite brasileira", ao ministro da Educação e a “teses liberais por si só” ao abrir a Brazil Conference, evento organizado por estudantes brasileiros em Harvard e do MIT em Cambridge, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Ele disse que a elite é passiva. “É incrível como nossa elite é passiva, ela adora reclamar, mas na hora de botar a mão no bolso ou a mão na massa sai todo mundo correndo”, disse Huck. “A gente não pode fugir dessa discussão da redução da desigualdade. Muitas vezes você fala isso e as pessoas fazem cara feia. 'Ah, mas não é assim, não pode usar esse termo'. Claro que pode”.

Sem se comprometer em disputar um cargo eletivo, Huck sugeriu que não sairá da cena política.“Quando a gente abre a caixinha para pensar políticas públicas, é difícil voltar atrás”, disse o apresentador, que ensaiou uma candidatura presidencial em 2018. Ele citou o RenovaBR, grupo de renovação política que foi base de lançamento para a eventual candidatura de Huck. O projeto se transformou em um programa de bolsas para formação de políticos em início de carreira e conta com o apoio de Huck.

Segundo ele, estar em ambientes como o de Harvard, debatendo políticas públicas, é “completamente fora” da sua zona de conforto. “É uma convocação geral nacional”, afirmou. “Se a gente não colocar a mão na massa para valer, ninguém fará por nós. Em algum momento da sua vida, a gente tem que servir e tem que bater palma para quem for servir, nem que seja por um tempo”, disse.

O apresentador defendeu que sejam “derrubados os muros ideológicos” no País e fez críticas aos que defendem maior armamento da população. “Isso aí não vai resolver problema nenhum de violência, vai só matar mais gente”, afirmou Huck. Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que facilita a posse de arma.

Huck também afirmou que teses liberais de economia “por si só” não irão reduzir a desigualdade social no País. “Não vão puxar para dentro da sociedade da Dona Marlene morando no Sertão do Cariri. Não vamos conseguir. Essa Dona Marlene vai precisar de rede de proteção social”, afirmou o apresentador.

Ao falar sobre educação, Huck disse que há boas iniciativas desenvolvidas por institutos e fundações no Brasil. “É só colocar em prática”, disse o apresentador, que emendou na crítica ao ministro Ricardo Vélez: “Não é o que a gente está vendo do nosso ministro da educação. Não vou entrar em política, mas essa não dá”, afirmou.

O apresentador ressaltou que tem viajado por mais de dois Estados diferentes do Brasil, por semana, nos últimos 20 anos. “O que eu vivi nesses 20 anos, nem Harvard, nem MIT, nem Stanford são capazes de ensinar”, afirmou. “Eu rodo muito o Brasil, já conversei muito com as professoras de escola em Sobral e com os índios isolados na Amazônia”, disse o apresentador. 

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