''É humanamente impossível governar sem MP'', diz Lula

Presidente destaca que discussão no Congresso é ?democrática? e ?necessária?, mas alega que governo tem pressa e precisa de agilidade

Fausto Macedo, CAMPO GRANDE, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em Campo Grande, onde deu início a obras de urbanização e saneamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que não se sente sob ameaça do Congresso. Lula foi categórico ao avisar que não pretende abrir mão da edição de medidas provisórias - mecanismo que parlamentares contestam. "Qualquer deputado e qualquer senador sabe que é humanamente impossível você governar se não tiver medida provisória. Porque o tempo e a agilidade que as coisas precisam acontecer muitas vezes é mais rápido do que o tempo das discussões democráticas que são necessárias acontecerem no Congresso." Enquete: você concorda com Lula?O presidente reagiu à mobilização de parlamentares de oposição, que articulam trancamento da pauta de votações por causa do excesso de MPs. "Primeiro, não tem ameaça. Eu acho que o Congresso tem que trabalhar de uma forma que se sinta bem. A medida provisória, quando foi instituída, na Constituinte de 88, ela veio porque todos nós estávamos cansados de decreto-lei."Lula aproveitou para ironizar opositores e exumou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que o Senado sepultou em dezembro, ao garantir que vai superar a falta do imposto do cheque. "Se Deus quiser, a economia vai continuar crescendo esse ano", disse ao povo da Vila Popular, nos arredores de Campo Grande, que foi aplaudi-lo e à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a quem alguns aclamaram como a sucessora de Lula na Presidência."Vocês sabem que no final do ano teve um grupo de pessoas lá no Senado que teve uma imaginação, eu diria, extraordinária", ele prosseguiu. "Resolveram tirar a CPMF do governo. Isso significou menos R$ 120 bilhões para o governo até 2010, dos quais R$ 40 bilhões eram para a saúde."SORTEO presidente contou à sua platéia e à sua maneira como os senadores rivais teriam tramado. "As pessoas diziam assim: ?Nós não vamos deixar passar, porque imagina se esse Lula tiver R$ 120 bilhões até 2010. Ele vai querer eleger o seu sucessor. Nós temos que derrotá-lo?."E Lula continuou: "Mas como eu tenho sorte eu vou arrecadar os R$ 40 bilhões que eles me tiraram, vou fazer todos os programas que queria fazer na área da saúde e eles vão ficar com muito mais raiva ainda porque as coisas vão acontecer da mesma forma." O PAC em Mato Grosso do Sul envolve investimentos de R$ 5 bilhões. O prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), presenteou Lula com um rádio de pilhas que afirma ter comprado no camelódromo da cidade que administra. "É para ouvir os jogos do Corinthians na segunda divisão porque a TV nem sempre mostra", disse ao presidente corintiano.Lula garantiu isenção político-partidária do PAC e divulgou que R$ 12 bilhões estão sendo destinados a dois de seus rivais diretos, os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas), ambos do PSDB. "Não pensem que são só meus amigos do PT e do PMDB. O Serra lá em São Paulo, que é nosso adversário, não ele, o partido dele, está recebendo, R$ 8 bilhões do PAC. O Aécio Neves, que é do PSDB, está recebendo R$ 4 bilhões. O prefeito César Maia, do Rio, que é do PFL, ainda não aprendi a falar demo, para mim continua sendo PFL, está recebendo muitos bilhões."Dilma Rousseff exaltou o PAC como "a porta de saída do Bolsa-Família porque garante emprego e renda". Segundo ela, o programa é "uma vacina contra as crises externas".

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