É hora de sanar ''''passivo'''', diz líder

Romero Jucá: Líder do governo no Senado[br]Para evitar mais derrotas no Senado, governo precisa entregar mais 15 cargos ao PMDB ou '15 soluções', como diz Jucá

Entrevista com

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

Depois de amargar a derrubada da CPMF, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), diz que o Palácio do Planalto precisa melhorar a articulação com os senadores. O primeiro passo, defende, é sanar "o passivo" que contribuiu para a derrota o governo na CPMF, pagando promessas de cargos aos aliados. Além do comando do Ministério de Minas e Energia, que o PMDB de José Sarney reserva ao senador Edison Lobão (PMDB-MA), estão pendentes direções de estatais do setor elétrico e 15 cargos federais nos Estados. Responsabilizado por petistas pela derrota na CPMF, ele não se culpa. "O líder aqui arruma o jogo, mas não chuta a bola e nem sempre consegue que todos chutem na mesma direção. Às vezes tem gol contra."A derrota da CPMF foi didática para mostrar que é preciso mudar a articulação?Você tem de tirar lição do que é bom e do que é ruim. Vamos ter um transtorno para administrar sem os R$ 40 bilhões da CPMF e será um processo complicado, porque leva em conta interesses de Estados completamente distintos. A derrota da CPMF foi resultado ponderado de duas coisas: falta de uma base estruturada, por decorrência de um passivo, e falta de número, por conta da matemática eleitoral no Senado, onde a margem é muito apertada. Faltou voto, por conta das circunstâncias, mas não faltou articulação política. A gente fez o que era possível fazer. O PSDB e o DEM quiseram marcar posição.O passivo da base do governo no Senado é muito grande?Não é grande não. No caso do PMDB, tem um ministério (Minas e Energia) para definir; a questão das empresas do setor elétrico que ficaram pendentes. Tem também a questão das indicações nos Estados, que é uma indicação das bancadas.Se formos quantificar, quantos cargos estão em jogo?Cada Estado tem uma engenharia política diferente. Existem várias bancadas que já fecharam entendimento, mas algumas indicações não saíram. Na base do Senado, no entanto, é pouca coisa. Não dá 15. Isso significa que com 15 cargos a base no Senado está pacificada e o governo pode ter maioria constitucional?Com 15 soluções. Não são 15 cargos; são 15 encaminhamentos e veja bem: resolve-se esta demanda, porque em política não existe pacificado. Resolvem-se as pendências mais históricas, mas isso não quer dizer que vai parar de surgir pleitos. Não pára. É a dinâmica da política .Até que ponto os cargos represados dificultam a vida do líder do governo?Há uma cobrança grande da base pelo represamento e vai se acentuar a partir de janeiro. Os cargos represados criaram mal-estar na negociação da CPMF e não podíamos resolver na votação, pois ia parecer que era questão de cargo. Pediu-se um voto de confiança à base, para começar a resolver isso no início do ano. É uma das missões emergenciais do ministro José Múcio. Quem é:Romero JucáÉ senador pelo PMDB-RR e iniciou seu segundo mandato consecutivo em 2003 Tornou-se líder do governo em março de 2007; exercia a vice-liderança desde 2006

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