'É fundamental trabalhar por uma terceira via', diz Marina

Senadora do PV defende alternativa ao bipartidarismo e nega candidatura à Prefeitura de SP

Daiene Cardoso, da Agência Estado

18 de janeiro de 2011 | 18h09

Destaque no primeiro turno da última eleição presidencial com quase 20 milhões de votos, a senadora Marina Silva (PV-AC) disse que pretende atuar nos próximos quatro anos como uma alternativa ao bipartidarismo de PT e PSDB recorrente nas últimas eleições do País.

 

 "Espero que a gente possa constituir essa terceira via no Brasil. Aí eu quero trabalhar por ela, não necessariamente para eu ser a candidata, mas para que a gente tenha a terceira via como o melhor projeto para o Brasil", afirmou nesta terça, 18, após palestra na Campus Party, onde conversou com participantes sobre o uso da internet em sua campanha. Ela também se reuniu com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, um dos palestrantes do evento.

 

Em 2010, a candidatura do PV superou as expectativas dos analistas e proporcionou a realização do segundo turno no momento em que a então candidata Dilma Rousseff (PT) tinha chances de vencer a eleição no primeiro turno. Segundo Marina, é preciso continuar quebrando a polarização entre PT e PSDB. "Quando há uma polarização não há escolha, há uma opção entre A ou B. É fundamental trabalhar a terceira via", defendeu Marina, que em duas semanas deixará o Senado para se dedicar à criação do Instituto Marina Silva.

 

Sobre a possibilidade de ser a candidata à Presidência em 2014, Marina insinuou que outros nomes podem representar a terceira via. "Não trabalho com essa ideia de cadeira cativa de candidato", justificou. Questionada se poderia disputar algum cargo em 2012, inclusive a Prefeitura de São Paulo, Marina foi direta: "Aqui temos excelentes paulistas para serem candidatos. Eu sou do Acre".

 

Em um balanço sobre as primeiras semanas do governo Dilma, Marina elogiou a disposição da presidente em continuar "debelando a pobreza", mas afirmou que é preciso que o foco do governo transite para programas sociais de terceira geração, capazes de promover a inclusão produtiva das pessoas atendidas pelo Bolsa Família. Marina defendeu o corte de gastos na esfera federal, mas reforçou que a redução precisa ser qualificada. "Não pode ser um corte linear", afirmou.

 

Sobre a briga por cargos entre partidos da base aliada, Marina insinuou que dificilmente Dilma conseguirá controlar os conflitos internos. "O próprio presidente Lula tinha força na opinião pública e era difícil lidar com a base. Imagino que essas dificuldades permaneçam."

 

Ibama. Perguntada sobre a saída do presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Abelardo Bayma Azevedo, exonerado do cargo na semana passada, Marina defendeu que haja transparência no acesso às informações sobre sua saída e que a sociedade tenha acesso a informações sobre licenciamento de obras polêmicas, como no caso da usina de Belo Monte.

 

Bayma teria pedido para ser exonerado por motivos pessoais, mas sofreu pressão de outras áreas do governo por conta da concessão de licenças ambientais. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, criticou especificamente o atraso em relação à emissão de licença da usina de Belo Monte, que deveria ter saído no fim de 2010, mas, segundo Lobão, deverá sair apenas em fevereiro.

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