''É fundamental perceber que o Brasil não é monolítico''

Prestes a deixar embaixada dos EUA, ele diz que vivência como empresário ajudou seu trabalho no Brasil

Entrevista com

Cristiano Dias, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

Vivendo seus últimos dias como embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel falou ao Estado sobre os três anos que passou no País. Em agosto, o posto será assumido por Thomas Shannon, secretário adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental.Qual o balanço destes três anos como embaixador?Não teria aceitado o cargo se não visse uma importância estratégica na relação entre EUA e Brasil. Uma das decisões mais importantes que tomei foi ter viajado pelos Estados brasileiros, principalmente pelo Nordeste, e visto a diversidade deste país. É fundamental para um embaixador perceber que o Brasil não é monolítico.Que tipo de resultado tiveram essas viagens?Descobri, por exemplo, que a falta de contato dos americanos com o Nordeste brasileiro era porque não havia voos diretos. Então, tentei tornar o turismo na região mais acessível para os americanos. Recentemente, tive contato com duas companhias aéreas americanas que querem manter voos diretos para capitais nordestinas. Há poucos dias, tive uma conferência com representantes dos nove Estados do Nordeste e executivos das quatro maiores cadeias de hotéis dos EUA, que estão interessados em investir na região.Qual foi o momento mais tenso da relação com o Brasil nestes anos?Acho que a reativação da Quarta Frota não foi um tema bem compreendido no começo. A reativação está ligada à capacidade de ajudar em caso de desastres naturais, de treinamento e trabalho em conjunto. Talvez devêssemos ter explicado melhor o tema. Levamos muito tempo para fazer as pessoas entenderem nossos objetivos.EUA e América Latina se distanciaram nos últimos anos, principalmente durante o governo Bush. Obama deu um novo impulso à relação. Não é um pouco frustrante deixar a embaixada quando as coisas parecem que vão melhorar?Eu já pensei bastante sobre isso. Acho que tive uma grande oportunidade porque fui indicado pelo governo anterior. Obama me pediu para ficar e acabei sendo o último embaixador do governo Bush a deixar o posto. Normalmente, a troca de embaixadores americanos é feita a cada três anos e eu teria de sair de qualquer jeito. Foi um período muito bom, mas é hora de partir. O fato de não ser um diplomata de carreira ajudou ou atrapalhou seu trabalho no Brasil?Em alguns países, o fato de vir do setor privado é uma vantagem. No Brasil, há muitas oportunidades de criar novas parcerias comerciais. A experiência como empresário ajudou porque me deu uma visão mais ampla, que tornou possível o trabalho com empresários e diferentes setores sociais.

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