´É exportar ou morrer´, diz FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso definiu, em seu discuso na solenidade de posse do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, as exportações como prioridade da área. "É exportar ou morrer", disse o presidente. Ele lembrou dados citados por Sérgio Amaral de que a capacidade exportadora do País, que corresponde a 8% do PIB, é pequena. Para o presidente, é preciso ter uma balança de comércio positiva. "É ter a capacidade de ganhar qualidade e ser competitivo e transferir para o setor doméstico o que se ganha com a exportação", afirmou. Ele aproveitou também para criticar a atuação das agências de classificação de risco. "Somos os que mais apanhamos porque passamos do nível dos mais fracos e hoje cobra-se tudo com as agências de rating. A cada dia o sarrafo é mais alto, toca sarrafo em cima", disse. Segundo ele, esta é uma situação que deve ser enfrentada com coragem e que esta será a postura que irá defender na próxima rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC). Fernando Henrique afirmou que é preciso participar das negociações internacionais com firmeza. "Não há risco para o Brasil. O risco é sentar na mesa e ser incompetente. O risco é não sentar e perder o rumo da história", definiu. O presidente afirmou que "bom acordo é o que todas as questões sejam negociadas, que não haja discriminação e que as regras antidumping não sejam utilizadas como proteção tarifária". Criticou também a postura dos grandes países em concederem subsídios a seus produtos. FHC definiu como "um escândalo" o fato de os países industrializados destinarem US$ 1 bilhão de subsídios para produtos agrícolas. "É ridículo e inaceitável", ressaltou. Estabilização econômicaO presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou a necessidade de se manter o processo de estabilização econômica como forma de garantir o crescimento do País. "É preciso estabilizar para desenvolver", disse. Fernando Henrique afirmou estar seguro de que o ministro Sérgio Amaral irá ajudar o País a deixar para trás o que chamou de concepção atrasada, a de que poderia haver uma certa incompatibilidade da estabilização com o crescimento. FHC considerou oportuna a escolha de um diplomata para ocupar o Ministério do Desenvolvimento. "Ninguém vai substituir a ação do empresário, mas tem uma tarefa que ele não pode fazer, que é a definição de regras", afirmou.O presidente ressaltou que dois pilares devem ser examinados para que haja uma mudança produtiva do País. Ele citou, como primeiro pilar, o caso da indústria nacional, afirmando que, para alguns setores - como os de bens de capital, petroquímico e siderúrgico - é necessário manter ações para assegurar a competitividade. O outro pilar seria o da indústria multinacional que se instala no País. Segundo FHC, é preciso que essas empresas se solidarizem com o desenvolvimento nacional e que sejam sensíveis às dificuldades do País. Disse também que é preciso que as multinacionais sejam sensíveis ao processo de substituição das importações de forma a garantir a transferência de tecnologia.

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