Heinrich Aikawa|Instituto Lula
Heinrich Aikawa|Instituto Lula

'É como se Dilma estivesse viajando', diz Lula a sindicalistas

Ex-presidente criticou medidas tomadas por Temer antes de o Senado votar definitivamente o impeachment da presidente afastada

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2016 | 17h32

Em reunião com dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na manhã desta sexta-feira, 20, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo do presidente em exercício, Michel Temer, não poderia tomar medidas que alteram os rumos da administração antes de o Senado votar definitivamente o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Segundo Lula, o momento atual “é como se a Dilma estivesse viajando” e o governo precisa dos votos de apenas seis senadores para reverter o impeachment.

“O maior golpe que este governo deu foi contra o Senado. Não foi isso que o Senado decidiu, não foi o impeachment, eles não podem dar de barato que já venceram. Porque é como se a Dilma estivesse viajando, ela está afastada, mas é a presidenta. Bastam seis senadores para que o impeachment não passe. E se a Dilma volta daqui um mês, vai ter de desfazer tudo que eles fizeram?”, questionou Lula.

Autocrítica. No encontro com sindicalistas, Lula fez uma autocrítica ao PT. Segundo ele, o partido se preocupou demais com os resultados eleitorais e acabou se descuidando do debate político com a sociedade.

"Quando a gente só pensa no resultado, e não na política, você não faz muita diferença entre os candidatos, os governos. A extrema esquerda e a extrema direita podem levantar um monte de viadutos, do mesmo jeito. O que faz diferença são as relações que você estabelece com a sociedade organizada do País”, afirmou.

A exemplo de Dilma, que ao longo da semana concedeu entrevistas a pelo menos três jornalistas estrangeiros, o ex-presidente tem priorizado contatos com a imprensa internacional. Nesta sexta-feira Lula falou com jornalistas dos canais Russia Today, TVE (Espanha) e Telesur (Venezuela). 

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