É coisa de quem não tem mais nada a fazer, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar, ontem em Riade, na Arábia Saudita, a oposição, que pediu a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na administração contábil da Petrobrás. Para Lula, trata-se de "questão político-eleitoral". De acordo com ele, a decisão de 30 senadores que resolveram manter a assinatura do requerimento para a implantação da CPI, na noite de sábado, é coisa de "quem não tem mais nada a fazer".As declarações foram feitas em entrevista coletiva no início da noite, em Riade - início da tarde no horário brasileiro. Depois de pedir aos jornalistas que privilegiassem questões relativas à viagem à Arábia Saudita e não fizessem perguntas sobre a política interna do Brasil, Lula se dispôs a responder. Para o presidente, a instauração da CPI não causa temor algum ao governo. "Do ponto de vista prático, não tem (receio) nenhum", afirmou.Lula disse que todos os comentários que teria a fazer sobre o assunto havia feito na base aérea de Brasília, antes da viagem. Na oportunidade, o presidente afirmou que a CPI não era do Congresso Nacional, e sim "muito mais do PSDB". "Não vou tocar em um assunto que é interesse específico do Senado. Todas as pessoas ali têm dados suficientes para fazer o que entenderem melhor", reiterou, em Riade.PRÉ-SALLula lamentou que a investigação seja aberta em um "momento de ouro na área do petróleo", quando o governo proporá um debate nacional sobre o novo marco regulatório do setor. "Estamos viajando o mundo, em busca de recursos para que a Petrobrás possa intensificar a exploração do pré-sal", alegou. "Não podemos transformar isso em uma questão política-eleitoral envolvendo a empresa mais importante que o Brasil tem." O presidente então voltou a disparar contra os partidários da CPI, que "assinaram querendo tirar suas costas do debate sobre o Senado" ou "preocupados com o processo eleitoral de 2010"."Se as pessoas que assinaram o requerimento não têm mais nada para fazer, que façam. Nós vamos continuar tocando o barco." A criação da CPI da Petrobrás foi definida no sábado, quando só dois senadores - Cristovam Buarque (PDT-DF) e Aldemir Santana (DEM-DF) -, das seis defecções que o governo precisava, aceitaram retirar as assinaturas. De acordo com o requerimento redigido pelo senador Alvaro Dias (PSDB-DF), a nova comissão deverá investigar possíveis irregularidades no licenciamento da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a distribuição de royalties e as manobras contáveis que teriam protelado o pagamento de R$ 4,3 bilhões em impostos devidos pela empresa.

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