Felipe Rau
Felipe Rau

'É coerente com o Estado Democrático de Direito', diz ex-ministro sobre declaração de general

Eros Grau, que ficou na Corte de 2004 a 2010, não viu mensagem do comandante do Exército como ameaça ao Supremo

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 11h53

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau, que foi torturado nos porões do DOI-Codi durante a ditadura militar (1964-1985), avaliou que as declarações do comandante do Exécito, general Villas Bôas, não representam ameaça à democracia. “Ele fez um comentário. O País vive momento de grande expectativa”, disse ao Estado. “Para mim, o importante é que haverá ordem. Isso não implica passar por cima do preceito institucional.”

+++ELIANE CANTANHÊDE: Declaração de Villas Bôas expressa posição do alto comando do Exército

+++Presidenciáveis se dividem sobre declarações de comandante do Exército

Na época da ditadura, Eros militava no PCB, o ‘Partidão’, e atuava como advogado de perseguidos pelo regime. Não participou da luta armada. Nos anos de chumbo, quando o País era comandado pelo general Emílio Garrastazu Médici, o ex-ministro passou uma semana no DOI-Codi, em São Paulo, o mais famoso centro de tortura da ditadura. Foi indicado para o Supremo em 2004 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá o pedido de habeas corpus julgado pela Corte nesta quarta-feira.

As declarações do general Villas Bôas foram interpretadas de diferentes formas e repercutiram entre outros militares e políticos. Também causaram repúdio por parte do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e da OAB. O comandante do Exército escreveu, na noite desta terça-feira, que a instituição compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”

Os que defendem a mensagem de Villas Bôas endossam o discurso de ordem em defesa da rejeição do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. Já os críticos das declarações alegam que não cabe ao Exército interferir em questões do Judiciário ou dos outros poderes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.