É cedo para prever redução de casos de dengue no Rio

O diretor do Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Jarbas Barbosa, disse nesta segunda-feira ainda não haver motivo para prever uma redução do número de casos de dengue no Rio, como fez o secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, no fim de semana. "Acho prematuro e perigoso achar que a batalha contra o mosquito está vencida. Qualquer período de chuva somado com calor pode fazer com que os números voltem a subir", disse Barbosa.Cantarino afirmou que o total de casos registrado em fevereiro, comparado com o de janeiro, já parece mostrar uma tendência de queda da dengue. Segundo o último balanço, divulgado na quarta-feira passada, houve 32.684 notificações da doença em janeiro e 19.279 em fevereiro. "Isso pode ser um indício, mas é informal porque o mês de fevereiro ainda não está fechado", disse Barbosa.MortesNa quarta-feira, o Estado divulga novo balanço. Desde o último o balanço estadual, apenas a cidade do Rio contabilizou crescimento de mais de dois mil novos casos da doença diariamente. Hoje eram 25.365 notificações na capital fluminense desde o início do ano, 3.151 casos a mais do que na última sexta-feira e 4.793 a mais do que na quinta-feira. A dengue já matou 24 pessoas no Estado, a maioria no Rio, 19."Nós esperamos que a grande mobilização contra a dengue que está ocorrendo no Rio já esteja conseguindo barrar a epidemia, mas ainda é cedo para passar a idéia para a população de que acabamos com a doença. Epidemiologia é como meteorologia ou economia, algo muito difícil de prever", disse Barbosa. BioinseticidaPesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos, a 278 km do Rio, vão começar a produzir um novo bioinseticida para atacar as larvas do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue. O estudo começou em dezembro passado e os pesquisadores esperam ter os primeiros resultados nos próximos dois anos. O produto, que poderá substituir os larvicidas químicos, será feito à base de uma bactéria conhecida como BTI.Essa bactéria produz uma toxina capaz de matar as larvas do mosquito, sem causar danos a outros insetos, pássaros, animais e seres humanos. O bioinseticida ataca a larva da seguinte forma: a bactéria é ingerida pela larva e consegue, em minutos, destruir o sistema digestivo da larva e levá-la à morte.MaláriaAlém da larva do Aedes aegypti, a BTI também é capaz de matar as larvas do Culex e do Anopheles, mosquitos transmissores da filariose e da malária, respectivamente. "Em alguns casos pode matar em menos de cinco minutos", afirma a professora de biotecnologia da Uenf, Marília Berbert de Molina.Segundo a professora, o Brasil ainda não tem bioinseticida disponível no mercado e o desenvolvimento de um produto eficaz poderia reduzir o preço do produto no País. "A maioria dos bioinseticidas importados custa US$ 25 por litro. Queremos oferecer uma alternativa mais barata e melhor", diz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.