Clayton de Souza/AE
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'É a primeira vez que um presidente é multado duas vezes', diz FHC

Em palestra, ex-presidente ironiza punição ao presidente Lula por campanha antecipada pelo TSE

FLÁVIA TAVARES, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2010 | 16h26

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta sexta-feira, 26, que "ficou feliz" com a multa aplicada ao presidente Lula por propaganda antecipada em favor da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

 

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"É a primeira vez na história da República que um presidente é multado duas vezes pela Justiça Eleitoral", afirmou, após palestra no Instituto dos Advogados de São Paulo.

 

Questionado sobre as inaugurações promovidas por Serra em São Paulo, o ex-presidente afirmou que "todo governante tem comichão para mostrar o que fez. O que não pode é fazer campanha para eleger esse ou aquele candidato".

 

FHC declarou ainda que a definição do vice na chapa com o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, só deve acontecer em junho. Ele confirmou que vai participar do lançamento do nome de Serra em Brasília, no próximo dia 10, mas vai apenas "para aplaudir", não para discursar.

 

Política externa

 

Em palestra sobre o Brasil no cenário mundial, o ex-presidente teceu crítica à política externa do governo Lula. "Quanto mais peso um país tem, mais responsabilidade precisa ter também", afirmou.

 

Em referência às recentes iniciativas do presidente Lula para mediar o conflito no Oriente Médio, o ex-presidente disse que o Brasil corre o risco de achar que é mais influente do que realmente é, "e acreditar que pode se meter em conflitos em que dificilmente teria algum poder". A alfinetada provocou risos na plateia, de cerca de 300 pessoas.

 

FHC qualificou como irrelevante o G20, que chamou de "photo opportunity"."Todo mundo vai lá, tira foto, e depois sei lá o que acontece." Ainda em críticas sobre a política externa brasileira, FHC disse acreditar que o Brasil extrapola por não escolher as questões em que interferir.

 

"Não entendo, por exemplo, como o Brasil não se manifesta na questão nuclear", disse, sobre a aproximação do governo Lula com o Irã.

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