"É a primeira vaia que recebo", confessa Thomaz Bastos

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que as vaias que recebeu hoje, de um grupo de procuradores em greve durante a inauguração do Fórum Trabalhista de São Paulo, foram as primeiras de sua vida. "Essa é a primeira vaia que recebo na vida. Mas não fiquei constrangido, respeito esse direito, pois as vaias são um direito democrático, como o aplauso", reiterou.Em entrevista concedida após a cerimônia de inauguração do Fórum, o ministro, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, respondeu também às críticas feitas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, em relação ao controle externo do Judiciário. "Maurício Corrêa é meu grande amigo e os pontos de divergências que temos são sempre num plano de respeito e amizade", disse. Apesar dessa afirmação, o ministro da Justiça fez questão de lembrar que o controle externo do Judiciário tem sido defendido, inclusive, por seus integrantes. E citou o futuro ministro do Supremo, Nelsom Jobim, e o atual presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal. "O controle externo do Judiciário não traz hostilidade, traz avanços", disse. Ele exemplificou que o controle externo poderia evitar fatos como o ocorrido na construção do Fórum, onde foram desviados cerca de R $ 170 milhões na gestão do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.ProtestoCerca de 100 funcionários ligados à Advocacia Geral da União (AGU) compareceram à inauguração do Fórum Trabalhista de São Paulo, para protestar por melhores salários e pela abertura de um canal de negociação com o governo. Durante breve explanação do ministro da Justiça, durante a abertura do evento, o grupo de manifestantes virou as costas para o palco e o vaiou. "Os canais com o governo estão fechados e eles (governo) estão sucateando nossa categoria, poorque há oito anos estamos sem reajuste salarial", disse a procuradora da Fazenda Nacional, Cristine Muller, uma das líderes do movimento em São Paulo.Esse grupo de manifestantes também protestou do lado de fora do Fórum, com faixas e cartazes pedindo mais atenção do governo com a categoria, que reúne, entrre outros, procuradores da Fazenda, procuradores federais, advogados da União e procuradores do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e do Banco Central. A categoria está em greve desde o dia 15 deste mês e os cálculos são de que cerca de sete mil funcionários cruzaram os braços em todo o País.

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